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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

PAOK vs SL Benfica: Toumba, um inferno a céu aberto?

Toumba na entrada das equipas

Dezembro de 2013. O Benfica havia sido eliminado, novamente, da Champions ao ficar no terceiro lugar do seu grupo, sendo reencaminhado para a Liga Europa, prova na qual já havia sido finalista na época anterior. O sorteio ditava uma segunda ida à Grécia  na mesma época, mas desta feita, não seria a capital Atenas (viagem que fica para outro post), mas sim Salónica.

Após alguma pesquisa acabou por se marcar um voo via Munique, o qual permitia ainda uma visita à cidade durante a escala, e acabámos por achar um hotel aparentemente agradável numa zona central da cidade. A viagem prometia, e estávamos ansiosos. Restava aguardar que Fevereiro chegasse...

Foi então a 22 de Fevereiro de 2014 que nos juntámos no aeroporto, onde apanharíamos o voo rumo a Munique. O voo, numa altura em que a Lufthansa não andava em greves constantemente, correu tranquilamente, sem qualquer percalço, e chegados a Munique, face à escala de várias horas que nos aguradava, não hesitámos em ir passear ao centro da cidade. Munique fica a menos de meia hora de transportes do aeroporto o que permite esta facilidade.

Apanhámos então o S-Bahn até München Karlsplatz, onde partimos então em direcção a Marienplatz, praça onde se encontra a majestosa Catedaral. Pelo caminho, paragem obrigatória na loja do Bayern e, claro, numa livraria local onde acabei por comprar uma pérola.



Munique
A 100 metros da Marienplatz, acabámos por encontrar o Biergarten Am Viktualienmarkt. Tratava-se de uma zona de bancas de comida bancas de toda a comida local, e cerveja, claro, onde aproveitámos para almoçar:Hot Dogs, Porc ribs e claro, cerveja!


Após o almoço fomos dar uma volta pelos arredores da Marienplatz, onde acabámos de descobrir uma loja revendedora da COPA que haveria de me dar jeito uns anos mais tarde. Tirámos também as fotos da praxe, nos locais mais óbvios, e acabámos por regressar ao local do almoço para mais umas cervejas, antes de regressarmos ao aeroporto, onde uma roulote que já frisei noutras crónicas nos aguardava, antes de embarcarmos finalmente. Na viagem de regresso ao aeroporto, um de nós acabou por ter algumas dificuldades pois a mesma pareceu-lhe durar horas, tal era o aperto da bexiga.



O voo para Salónica, onde aterrámos com um nevoeiro intenso, tendo saído rapidamente do terminal de chegadas para apanhar um táxi (azul...) em direção ao hotel. Rapidamente nos distribuímos por dois táxis, entre o nosso pessoal, e tudo decorria normalmente na viagem de 17 km desde aeroporto, até que de repente o taxista sai da autoestrada (que seguia até à cidade) e entra por um caminho de serra repleto de curvas e árvores. A meio deste trajeto resolve parar o Táxi e fazer uma chamada, durante a qual apenas entendíamos que havia dito o nome do hotel várias vezes. Na verdade não fazíamos a menor ideia do que se passava, mas passado um ou dois minutos, o condutor lá arrancou e passado alguns minutos começámos finalmente a entrar na cidade. Ficou a apreensão e a verdadeira expressão "what the fuck?!?!" de quem ia no táxi.


Após nos instalarmos no Hotel, aproveitámos para dar uma pequena volta pelas redondezas, para nos enquadrarmos, tendo mais tarde regressado ao hotel para descansar.

Na manhã seguinte, véspera de jogo, saímos do Hotel logo pela manhã, tendo-nos dirigido até à marginal, onde caminhámos até à White Tower, o ex libris da cidade, onde aproveitámos para tirar fotos, e subir à mesma. No topo da torre, abordados por jovens que estavam numa aparente visita de estudo, e que com curiosidade nos perguntavam de onde vínhamos, alguém respondeu com toda a naturalidade: "Somália". Os rapazes ficaram espantados.




Após descer da White Tower encaminhámo-nos para o Museu Olímpico de Salónica numa caminhada de perto de 2 quilómetros, tendo passado junto ao Museu da Cultura Bizantina, o qual fiquei com curiosidade de visitar, mas que acabou por não se proporcionar.



O Museu Olímpico de Salónica, fica junto ao estádio onde joga o Iraklis, e não sendo nada por aí além acaba por ter alguns apontamentos interessantes, desde alguns registos olímpicos, a equipamentos oficiais de clubes. No fundo, não é bem um museu sobre os Jogos Olímpicos, mas sim sobre desporto. Os jogos olímpicos acabam por ter um forte peso no mesmo, por estarmos na Grécia. Era inevitável. Após a visita ao museu, optámos por seguir por outro caminho até ao centro da cidade. Nesse caminho passámos junto ao Pavilhão do Iraklis, onde são bem notórias as marcas dos seus adeptos, Passámos depois pelo Fórum Romano de Salónica, já no centro da cidade, tendo depois entrado num mercado antigo onde aproveitámos para almoçar. Após o almoço, enquanto alguns foram descansar para o hotel, visto que a caminhada tinha sido longa, outros dirigimo-nos até ao Museu Judaico de Salónica. À porta deste, além de nos pedirem a identificação para confirmarem a nossa proveniência, ainda aproveitaram para perguntar se Portugal era um país de dinheiro. 





Museu Olímpico de Salónica






Pavilhão do Iraklis


Fórum Romano

Museu Judaico
Visita completa, apesar da proibição de tirar fotografias, e regressámos ao hotel para pegar em algumas coisas pois resolvemos ir assistir ao treino da equipa, até para percebermos como era o Toumba, e como eram os seus arredores. Foi então que confirmámos o que nos tinham dito: o cenário mais semelhante em Portugal, para definir a localização do estádio é Guimarães. Seria um jogo de atenção máxima portanto.



Treino no Toumba
Após o treino, regressámos ao hotel para deixar o material e fomos então jantar a um restauranteperto da zona de bares da cidade. Em qualquer restaurante a conclusão era óbvia: come-se realmente bem em Salónica. 
Já de barriga cheia, demos uma volta pela zona nocturna da cidade. Salónica é sobretudo uma cidade com andamento e animação, porque é uma cidade de forte implementação universitária. Festas de Erasmus, festas temáticas e não só! A noite foi longa e muito animada!


Dia de jogo. Dia de jogo, a tensão aumenta. Ao longo de dia foram chegando mais companheiros dos outros lados da Europa, e acabámos por andar nas imediações do hotel. Era no entanto um dia especial na cidade, e ao longo de todas as ruas havia malta a assar carne e a oferecer a quem passava. Uma tradição local e notável. Iniciava-se o período de Carnaval de Salónica e era essa a razão desses churrascos ao longo de toda a cidade. Após algumas compras de cerveja para aproveitar o sol na varanda de um dos quartos, partimos ao final do dia rumo ao estádio. A chegada decorreu com alguma tranquilidade, e sem qualquer problema, problema esse que apenas chegou com um dos stewards com problemas de autoridade que havia dentro do recinto.

Sanado esse incidente, veio então o jogo que, não sendo nada de especial, permitiu ao Benfica carimbar mais uma vitória no seu longo histórial europeu, e silenciar o inferno do Toumba. Os adeptos locais pareceu-me muito fortes no apoio, mas o estádio acaba por perder esse ambiente por ser um estádio em céu aberto. O cântico inicial das palmas é no entanto, fortíssimo! De notar a forte presença de membros do Partizan de Belgrado junto dos locais fruto da amizade existente entre ambos.


No final da partida, após ficarmos retidos mais de meia hora, abriram-se as portas. Após perguntar a um agente da autoridade o melhor local para apanhar um táxi, apontou para a longa avenida que ia dar ao estádio e para lá seguimos. Assim que metemos um pé nessa avenida, apercebemo-nos que era uma avenida repleta de muitos restaurantes cheios com adeptos vindos do jogo. Fomos então descendo, da forma mais discreta possível, essa avenida, e entrando em táxis que nos levaram para a outra ponta da cidade, para o nosso hotel.



Após deixar o material regressámos ao restaurante da véspera para jantar, e ao bar onde tínhamos estado na véspera. Pelo meio, algum pessoal sérvio andava à procura do pessoal do Benfica, fruto das ligações croatas, mas nada acabou por acontecer. 



Após regressar ao hotel, foi altura de descansar pois na madrugada seguinte iniciou-se o regresso com nova paragem em Munique, mas sem ir ao centro da cidade mas a aproveitar a praça de restauração e a sua maravilhosa "Aeroroulotte" e finalmente o regresso a Lisboa.




Valeu a pena. Mas isso vale sempre! E ficaram ótimas lembranças de Salónica.





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Juventus - Benfica: Lição de tudo!



Depois de na época anterior o Benfica ter sido finalista vencido da Liga Europa, estávamos novamente nas meias finais da competição. O adversário era a Juventus, o mais dificil que poderia haver. A Juventus seria tambem o detentor do estádio onde se diputaria a final, e era o clube do coração de Platini, o presidente da UEFA. Tudo dificuldades portanto. Mas mais uma vez o Benfica mostraria a fibra de que é feito e sempre o acompanhou ao longo da sua Gloriosa História.
Depois de uma primeira mão onde, uma vitória à tangente por 2-1 deixava esperançosos os adeptos, e num jogo em que uma frase a honrar o Grande Torino, apesar de contestada internamente, teve um tremendo impacto em Portugal, Itália e em toda a Europa, a ida a Turin prometia.

Com tudo organizado, partimos dia 30 de Abril de 2014 rumo a Marselha. Chegados a Marselha
levantámos os nossos dois carros e seguimos via Côte d’Azur. Após uma breve paragem entre Cannes e Nice, e uma passagem junto ao novo Allianz Riviera, chegámos a Monte Carlo para ver o por do sol. E não só…
No fim de semana que se seguia, teria lugar o Grande Prémio de Monte Carlo, o que fez com que toda a pista tivesse já montada, sem qualquer impedimento ao trânsito. A sensação foi fabulosa, foi reviver inúmeros domingos à tarde, mas desta vez ao volante! Fantástico! Primeira imagem a ficar para sempre!




Após esta incrível sensação foi tempo de arrepiarmos caminho pois ainda tínhamos muita estrada para percorrer até chegarmos a Turin.
A chegada deu-se já noite dentro, mas a tempo de deixar as coisas no hotel (o qual estava lotado) e ainda ir dar uma volta pela cidade para tomar um copo enquanto alguns ficavam a dormir. Ficou combinado acordar cedo, tomar o pequeno almoço e seguir para Superga onde prestaríamos a nossa homenagem.



Assim foi, e logo pela manhã fomos a Superga. A partir deste momento, todo e qualquer adjectivo a definir o quão fantástico foi o que sentimos não será exagerado. Este dia, 1 de Maio de 2014, será sempre um dos mais memoráveis da minha vida, porque resume em menos de 24 horas tudo o que aprendi e sonhei que fosse o futebol ao longo da minha vida.
Chegados ao parque de estacionamento junto à Basílica, parámos os carros e saímos. Aproveitando o feriado, havia uma tremenda peregrinação a Superga. Inúmeros adeptos do Toro abordaram-nos assim que percebiam que éramos do Benfica e repetiam constantemente uma palavra: “Obrigado”. Ainda em frente à Basílica pediram-nos para tirar algumas fotos connosco. 
Dirigimo-nos então à parte de trás da Basílica, onde se encontra o memorial. Lá chegados prestámos a nossa homenagem e vi das imagens mais marcantes de que me recordo em muitas viagens atrás do Benfica: um Senhor, já com uma certa idade, além de entregar a um de nós o seu cachecol do Toro, cumprimentou-nos com uma tremenda vénia que a mim me deixou totalmente sem palavras. Para se ter uma noção, o momento em questão traz-me à cabeça o cumprimento de Cesare Maldini a Mário Esteves Coluna. É com essa reverência que o Benfica é tratado em Turin, pelos adeptos do clube que perdeu a sua melhor equipa da história quando veio homenagear Francisco Ferreira.


Voltámos posteriormente para os carros e encaminhámo-nos para o bar Sweet, a casa dos Ultras Granata em frente ao Estádio Filadefia. Lá chegados, oferecemos um quadro com a foto da frase mostrada na Luz, no jogo da primeira mão. Os mesmos mostravam-se entusiasmados com a hipótese do Benfica eliminar o seu maior rival. De seguida, após nos mostrarem as suas instalações, abriram-nos as portas do Estádio Filadelfia onde ainda tirámos umas quantas fotos antes de seguiremos para o almoço. Um almoço animado, com alguns deles, onde se ouviam cânticos pró-Benfica, anti-juve e pró Toro, o qual acabou bem regado com copos de Amaro para começar a afinar as gargantas. 



Após o regado almoço, seguimos para a principal avenida da cidade onde passámos a tarde num pub repleto de adeptos do Toro que festejava a passagem de qualquer pessoa do Benfica. Ao lado deste pub encontrava-se uma interessante livraria, que infelizmente estava fechada por ser feriado.
No Pub, e na avenida, continuava a festa e o optimismo ia crescendo ao longo da tarde. Moment
os de tensão, apenas um, quando passou um carro com adereços da Juventus, momento esse que levou à intervenção da Digos. Após esse momento, o bom ambiente continuou e a meio da tarde iniciamos o nosso cortejo ao longo da avenida, rumo ao Meeting Point onde os autocarros municipais nos levariam para o Juventus Stadium. Junto aos autocarros, mais um incidente que não impediu, no entanto, ninguém de seguir rumo ao Estadio.

Chegados à envolvente, após atravessar uma cidade que gritava e gesticulava incentivando o Sport Lisboa e Benfica, qualquer pessoa concluía: os Granata não queriam só que a Juventus perdesse. Eles queriam também que o Benfica ganhasse. Pode parecer a mesma coisa, mas não é…
Após uma breve incursão às roulottes em frente ao estádio, encontrei o responsável pelo Museu do
Grande Torino. Uma bela conversa ajudou a disfarçar a ansiedade que sentia. Já só queria entrar. Já só queria ganhar…

Ainda antes de se iniciar o aquecimento da equipa entrei. Entrei no estádio, soube o onze e senti que íamos passar. E passámos! Um heróico 0-0 a acabar o jogo com 9 mas que me fez sofrer como poucas vezes na vida, tendo inclusivamente saído das bancadas durante uns minutos tal era o meu nível de ansiedade. Após o final ? Bem, assim que foi o apito final, com defesas fantásticas, cortes maravilhosos, arbitragem medíocre e festival a adeptos gobbos depois, desatei a chorar. A chorar muito! Um tremendo choro de felicidade de ter acompanhado toda a campanha europeia nessa época e saber que ia terminar na final, no sítio onde só chegam os melhores! E nós estávamos lá! Comecei desde logo a pensar em marcar a viagem, mas problemas com o cartão não mo permitiram, mas acreditei que conseguiria ainda tratar disso em Lisboa, o que felizmente veio a confirmar-se!


Após o final do jogo e da tremenda festa ainda no estádio, dirigimo-nos aos mesmos autocarros que nos levaram ao meeting point, donde caminhámos para os carros já debaixo dum diluvio. Não havia dúvidas, também São Pedro já chorava de alegria! 
Dirigimo-nos para o Sweet, onde fomos recebidos em autêntica festa e onde convivemos um pouco, com promessa de regresso daí a 15 dias, antes de regressar ao hotel onde adormecer ao som de L’Italiano do Toto Cutugno será sempre algo que recordarei.
Na manhã seguinte, à descida para o pequeno almoço percebemos que o hotel estava cheio de adeptos eliminados na véspera. Na nossa viagem de elevador, o Y. encarregou-se de cumprimentar um com pompa e circustância, enquanto no restaurante encontrámos mais uns quantos. Todos com cara de maus amigos. Eles não estavam à espera, de todo, do que aconteceu. A festa estava preparada, tudo queria que a Juve chegasse à final mas não aconteceu. O Grande Benfica não deixou. O desespero chegou ao ponto de no túnel do balneário terem ficado histórias por contar 
Tomado que estava o pequeno almoço era hora de nos fazermos novamente à estrada. Um caminho diferente, com um túnel extremamente caro, levou-nos até ao aeroporto de Marselha, mas desta vez por Grenoble, onde ainda passámos junto ao Stade des Alpes, e com chuva constante. 



Chegámos a Marselha, onde embarcámos rumo a Lisboa. Estávamos felizes. Estávamos muito felizes.

E eu tinha ido ao paraíso vivendo um dia que nunca terei palavras para descrever, nem com tão longa crónica como esta. Falo carinhosamente deste dia como a nossa final. E que a ganhámos.

O Benfica é isto. O Benfica será sempre isto!



1904