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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Istanbul: Antes e depois



Outubro de 2015. A situação na Turquia já não é a mais estável, e o Benfica vai lá jogar. Dúvidas em ir ao jogo nunca houve, e os principais problemas têm sido na capital, Ankara. Em Istanbul, cidade que chamo sempre de Constantinopla (e assim o farei ao longo deste texto), os problemas parecem localizados perto da Praça Taksim, um local longe de onde vamos ficar.

O ponto de partida é dado na Luz. Em frente ao pilar onde José Águas segura a Taça dos Clubes Campeões Europeus com um sorriso que não é o dele apenas, mas o de todos os Benfiquistas de hoje e de sempre. Daí seguimos para o aeroporto, onde se juntou o PT e pouco depois levantámos voo rumo a Munique, onde faríamos escala.

Munique é o aeroporto europeu onde mais gosto de fazer escalas, caso sejam superiores ao tempo de ir de uma porta de embarque a outra. A praça central é fantástica com bom ambiente, boa cerveja e boas batatas. Assim foi e assim que aterrámos dirigimo-nos para a Praça em questão, para uma roulotte em forma de avioneta, que já conhecíamos doutras tours, mais precisamente. Após uma bela caneca de cerveja, voltámos a entrar no hall das partidas, e passado o controle de documentação dirigimo-nos a uma papelaria onde acabei por adquirir duas belas revistas.

Partimos então pouco depois para Constantinopla, onde aterrados já de noite, nos esperava o transfer. Este funcionava com uma logística interessante que acarretava 3 pessoas: uma ostentava a placa com o nome, e à qual nos dirigimos. Após nos identificarmos, outra pessoa encaminhava-nos para a carrinha, onde outra pessoa nos aguardava para nos levar até ao hotel. E assim se criam postos de trabalho.

Chegados ao hotel, situado em Sultanahmet com vista para a Mesquita Azul e para a Hagia Sophia. Melhor localização era impossível. Após fazer o check-in, dirigimo-nos para um bar que ficava a poucos metros do hotel e onde nos aguardavam alguns companheiros de luta, oriundos de outros países. O andamento já era grande, com muita cerveja e shisha, mas depressa apanhámos o ritmo. Até a Ser Benfiquista tocou naquele beco de Sultanahmet.

Saídos do bar já de madrugada, fomos até à Praça Sultanahmet tirar uma foto de grupo, para depois recolhermos ao hotel porque o dia seguinte prometia e envolvia não dormir antes do regresso a Lisboa.


Assim que foi fisicamente possível, levantámo-nos (reparem como se diferencia o acordar do levantar. Acordar em Istanbul é muito fácil, tal a quantidade de chamamentos para as Mesquitas) e tomado o pequeno almoço fomos visitar a Cisterna Basílica, a cisterna mais antiga que ainda resiste no subsolo da cidade. Saídos da cisterna, e após decidirmos não visitar a Hagia Sophia, não só pelo preço sobretudo (no meu caso) pelas filas que nos fariam perder muito tempo na visita à cidade, fomos até à Mesquita Azul, a maior do mundo fora de Meca. Da Hagia Sophia até à Mesquita Azul não dista mais de uma enorme e bela Praça com dois Obeliscos e um Coreto, onde outrora se situava o hipódromo de Constantinopla. 

Cisterna Basílica

Praça Sultanahmet

Chegados à entrada para o complexo da Mesquita, dirigimo-nos para o lado direito, onde se situava a entrada dos visitantes, e uma pequena fila de não mais de 5 minutos estava à nossa espera. À entrada descalçamo-nos, e assim que entrámos foi impossível não ficar esmagado com a grandiosidade da Mesquita. Estupenda! Brutal! Indescritível! Era de facto um local soberbo que correspondia a todas as descrições que me haviam dado anteriormente.


 

Muitas fotos depois saímos para os jardins da Praça, onde as fotos continuaram, e daí seguimos em direção a Norte, Era a altura de ir para o Grande Bazar. Pelo meio apenas uma pequena paragem para levantar dinheiro (sim, acreditem que é relevante).

Entrada GrandeBazar

Após uma caminhada de sensivelmente mil metros, chegámos então ao Grande Bazar. Um mundo de lojas onde se encontra de tudo e onde falam de tudo. Entre a nossa malta, comprámos ténis, cachecóis e casacos, perante vendedores que falam todas as línguas possíveis e imaginárias, e com os quais compensa, e bem, regatear o preço. Da parte mais a baixa do Bazar, continuámos a descer em direção ao Bósforo, passando pelo Mercado de Especiarias, onde o JP achava que tinha tido um desconto amigo, até andar mais uns metros e ver algo igual à sua compra que ia ficando cada vez mais barato. Acontece a todos...

Chegámos então junto à ponte de Galata onde decorriam algumas manifestações políticas, da qual nos aproveitámos para nos apropriarmos de algumas bandeiras da Turquia, tirarmos algumas fotos junto ao Bósforo e, finalmente, almoçar. O almoço decorreu tranquilamente, embora tardio, e após o mesmo fomos deixar os pertences ao hotel, buscar o material e os bilhetes e eis que alguém se lembrou que podíamos seguir a pé até ao Meeting Point de adeptos do Benfica porque, e passo a citar, "é já ali à frente!". Quem nos disse isso era a pessoa que melhor conhecia a cidade e por isso  acreditámos!

O meeting point estava marcado para uma praça em frente ao estádio do Besiktas, que se encontrava então em remodelação, onde nos aguardariam uns autocarros para nos levar até ao estádio. E para lá chegar, tivemos de fazer uma caminhada de 6 km (É já ali...), não sem abdicar de paragens para uma bela foto à Benfica após a travessia da Ponte de Galata.

Benfica pelo mundo
Chegados em frente ao Estádio do Besiktas ainda muito cedo, nada se passava. Havia apenas um café, com esplanada, o qual não tinha licença para vender bebidas alcoólicas. Ficámos então a chá e café, enquanto não se dava o tiro de partida rumo ao Turk Telekom Arena, o qual sucedeu já ao final da tarde.

Foram pouco mais de 13km de autocarro até ao lado Norte da cidade, no meio dum trânsito absolutamente infernal, mas com a polícia turca a abrir caminho, fazendo um trabalho extremamente eficiente, e deixando os autocarros numa zona própria e impenetrável já com acesso directo à porta da bancada. Outros dos nossos seguiam de metro, tendo tido viagem igualmente tranquila.

A entrada de material decorreu da melhor forma, e à chegada ao cimo do estádio, onde se situava o nosso sector, ficou a imagem dum estádio grandioso que infelizmente não encheu não nos permitindo ter a noção do que é o verdadeiro ambiente turco. O Benfica entrou a ganhar, literalmente, no jogo com uma obra de Nico Gaitán, mas viria a perder o jogo por 2-1, sem no entanto hipotecar as hipóteses de apuramento como se viria a ver mais à frente. Após o final do jogo, os mesmo autocarros levaram-nos até ao Estádio do Besiktas onde nos aguardava uma autêntica coluna de táxis para nos levar. Obviamente ninguem queria ir de taxi pois havia um tramway que nos levava até à porta do hotel, e fomos todos até à estação que se encontrava 100 metros mais à frente. Lá chegados, o serviço de tramway já tinha encerrado, e tendo noção disso, a coluna de táxis também foi até à estação onde acabaram por ver-lhes sair a sorte grande, tal a quantidade de malta a apanhar táxi ali.



Fomos então até ao hotel deixar o material para depois irmos jantar. Aí chegou o dilema, estava tudo fechado exceto o MacDonalds. No Mac não tinham comida para todos (sim, isto foi-nos dito num MacDonalds...) o que nos obrigou a ir procurar um restaurante aberto e que fechasse tarde para podermos estar ocupados até às 2 da manhã, hora a que o nosso transfer nos viria buscar para levar ao aeroporto. Assim dito achámos um restaurante impecável nas redondezas e onde comemos impecavelmente. Findo o jantar chegou mais uma surpresa... Quando ia a pagar reparei que não tinha o meu cartão MB. Tinha ficado na máquina onde tinha levantado dinheiro pela manhã, era a única hipótese. Foi então tempo de ligar para Portugal e resolver a situação o que se conseguiu em tempo útil: cartão cancelado. Jantar pago e regressámos então ao hotel onde já nos aguardava o Transfer. Um louco turco que a cada vez que olhava para nós e percebendo ao que tínhamos vindo, apenas dizia "Galatasaraaaaaay". 

Chegados ao aeroporto e enquanto o embarque não ocorria, eu confesso-vos que aterrei. As imagens não mentem... E não fui o único!


Embarcámos depois rumo a Frankfurt, onde conhecemos a equipa sub 19 feminina da Suécia, que assim que soube que éramos do Benfica reagiu com um rápido: "Lindelof". Pouco depois embarcámos e rumámos a Portugal. Estava feita mais uma Tour. E tinha valido muito a pena! Tanto que a vontade de voltar a Constantinopla era enorme!


Novembro 2016. O Benfica volta a Constantinopla. Desde a última visita, 13 meses antes, já houve inúmeros atentados na cidade, um deles pouco tempo depois da nossa ida, junto aos obeliscos. Já houve inclusive uma tentativa falhada de golpe de estado, já depois de termos marcado viagem. O medo não vencerá. Nunca poderá vencer. Por isso vamos a uma das mais fabulosas cidades que já vi, novamente, e com mais tempo para visitar. Pensava eu...

Atentado na Praça Sultanahmet em Janeiro 2016

Assim que foi o sorteio, resolvi que ia regressar à Cidade de Constantin. Apesar de toda a turbulência existente, valia a pena lá voltar, e as coisas até estavam mais baratas. Para mais, era possível ir de madrugada, chegando lá ao fim da tarde, e só regressar 48 horas depois o que nos dava um hiato temporal para visitar muito mais coisas. Estava decidido! 

E assim foi que na madrugada de 22 de novembro nos juntámos, pelas 4 da manhã, no aeroporto da Portela. Vinha aí mais uma viagem que a greve da Lufthansa não tinha afetado. Felizmente!

Da viagem até território turco, desta vez, pouco havia a destacar e lá chegados fomos diretos ao mesmo hotel, com transfer novamente, onde fomos efusivamente saudados pelo rececionista que se recordava de nós. Após nos instalarmos, saímos para jantar, tendo ido a um local que não conhecia, para sul da Praça Sultanahmet, numa rua extremamente turística, tendo optado por pratos tipicamente turcos. Não saímos defraudados, nem com o preço nem com a comida. Tudo impecável, e com a possibilidade de apenas atravessar a estrada, após a refeição, para vermos os jogos da Champions que decorriam nessa noite, e a poder consumir álcool; e assim começou o consumo de cerveja, shisha e, obviamente, de Raki, enquanto o nosso rival era eliminado da Champions. Como referi, o restaurante encontrava-se numa zona turística. No entanto as ruas estavam às moscas. Dizia-nos o senhor do restaurante que tem sido assim nos últimos meses. Desde que os atentados começaram em Constantinopla que o turismo em massa desapareceu e as zonas turísticas apenas contam com os locais para subsistir. A situação começa efetivamente a ficar complicada. Após o jantar e os jogos de Champions, acabámos por recolher ao hotel, vencidos pelo cansaço. No dia seguinte, a jornada seria longa.



Logo pela manhã, e com o sol a brilhar, subimos para o pequeno almoço e saímos logo de seguida. Do bar do hotel ficava uma imagem marcante: a Praça Sultanahmet estava vazia em comparação com ano anterior. O turismo em massa era, de facto, inexistente. A Hagia Sophia não tinha qualquer fila. Esta cidade fabulosa não merece o fardo pelo qual está a passar. Não merece mesmo. 


Sendo eu o único interessado em ir à Hagia Sophia, acabámos por não visitar o complexo para pena minha, e descemos então diretamente para a Ponte Galata. Aí já tinha algo em mente: ir fazer um cruzeiro de duas horas no Bósforo. Diz quem sabe que valia a pena...


Lá chegados, ainda tivemos de esperar perto de uma hora pela partida, mas uma coisa é certa: valeu a pena a espera. A viagem fez-se ao longo de duas horas, vistas fantásticas da cidade desde o mar, o lado europeu, o lado asiático, o Vodafone Arena, que iriamos visitar mais tarde, e a eterna Mayden's Tower ali tão perto. Foram imagens que ficaram mesmo gravadas na minha memória a ponto de, quando voltar à cidade (e voltarei, certamente) farei o cruzeiro não de 2, mas de 4 horas que vai até ao Mar Negro.

Ao longe o Vodafone Arena 




Constantinopla - Lado asiático

Maiden's Tower

Findo o Cruzeiro, e aproximando-se a hora de almoço, íamos então até ao hotel ter com os nossos para comer qualquer coisa e depois visitar mais algumas coisas. Para a manhã do dia seguinte tinha deixado a ida ao Grande Bazar e ao verdadeiro Banho Turco. Estava então no caminho para o hotel, perto do Mercado de Especiarias quando recebo a mensagem bomba enviada pela Lufthansa: os meus voos de regresso tinham sido cancelados devido à greve. Paralisei e em passo alargado regressei ao hotel. O stress era enorme, e toda a programação para o resto da estadia estava estragada. No hotel entrei em contacto com a família e com amigos dados a estas coisas, os quais me tranquilizaram. Passado uma hora dizem-me que apesar da ida em vão ao aeroporto da Portela (pois o problema tinha de ser resolvido em Istanbul), que vou poder voltar num voo direto, da Turkish mas que o mesmo partiria de manhã (Lá se ia o grande bazar e o banho turco) e para ir almoçar.


Assim fomos, para um restaurante perto e com cerveja. Após o almoço fomos então ao grande bazar. Polos Fred Perry, ténis New Balance. Foi este o saldo (não o meu) do nosso pessoal. Um clássico das idas a Constantinopla. Entretanto ia consultando o mail constantemente, e já no regresso ao hotel, recebi os etickets para o regresso no dia seguinte. Aqui sim respirei de alívio. Mas não por muito tempo...

Aproximava-se a hora do jogo, e novamente a ansiedade voltava a subir, agora pelos bons motivos. Distribuídos os bilhetes e o material para levarmos para o estádio, fomos à procura dum táxi para nos levar à Praça Taksim. Erro crasso. Não tendo chamado o táxi do hotel acabamos por ser vítimas do condutor que acabou por amealhar uma maquia que nem nos seus melhores dias sonharia. Mas é com os erros que aprendemos. Chegados à Praça Taskim, situada a 500 metros do estádio, encontrámos os mesmos autocarros amarelos da época anterior, para levarem os adeptos para o estádio. No entanto, face ao número reduzido, as autoridades optaram por nos conduzir a pé num trajeto que decorreu com a maior das tranquilidades.


À entrada do estádio os primeiros problemas: moedas não podiam entrar, enormes reticências relativamente ao material e discussão acesa entre os adeptos portugueses e as autoridades turcas que não falavam inglês. A questão do material acabou por se resolver, a das moedas não.

Acedi então à bancada. O estádio, novo, dava pica. À medida que se ia compondo de público, o ambiente ia animando. O jogo começa com um minuto de silêncio dos locais para marcarem a diferença, momento aproveitado por todos nós para deixarmos a nossa marca. No fim desses 60 segundos, um barulho que até hoje ficou na minha cabeça. Que inferno. Que ambiente brutal. Quem o viu, ouviu e sentiu não vai esquecer nunca. Mas o Benfica entrou bem e ao intervalo ia vencendo por 0-3, o que baixou em muito o apoio que vinha das bancadas. Apesar do fervor e do fanatismo, lá como cá, nas horas más eles também vão abaixo. Mas a última meia hora a equipa turca regressou das cinzas e com ela o inferno do Vodafone Arena, com o empate conseguido em cima da hora. Em vão porque acabaram por ser eliminados na última jornada...


 


No final do jogo, apenas após alguns minutos, fomos encaminhados para fora do estádio e conduzidos pela polícia para a Praça Taksim. Escoltados por pouco mais de meia dúzia de agentes, e com alguns adeptos do Besiktas na nossa peugada, houve alguns momentos de ansiedade. O transito esse, continuava caótico. Já perto da Praça Taskim enfiámo-nos num Táxi e a primeira pergunta após informarmos o destino, foi perguntar quanto seria a viagem. O taxista de pronto disse que seria o valor do taxímetro. Ótimo!

Chegados ao hotel, fomos então jantar perto do mesmo local onde havíamos almoçado, num restaurante com um empregado muito pouco ortodoxo e onde os gatos tentavam a todo o custo entrar. Após o jantar recolhemos de pronto ao hotel. O regresso ia ser na manhã seguinte e havia que descansar.

Na manhã seguinte, saí do quarto assim que abriu o pequeno almoço e dirigi-me ao grande bazar para comprar um espremedor de romã prometido (recomendo a todos, há poucos sumos melhores...), regressado ao hotel apanhámos o transfer rumo ao aeroporto onde nos aguardava um confortável voo direto, da Turkish, rumo a Lisboa. Aterrado em Lisboa, aconteceu o óbvio: pegar no carro e rumar à Luz. Não há nada como ir a casa e ver amigos. Amigos à séria!



Viva o Benfica!

Janeiro de 2017. Desde que fomos à Turquia já houve o assassinato do embaixador Russo, e um ataque junto ao Vodafone Arena. A foto à esquerda é minha. A foto da direita é do atentado. O local do carro que explode, é o mesmo onde me encontrava quando tirei a foto ao estádio. Voltarei, no entanto, quando possível, a Constantinopla. Se o medo vencer, eles também terão vencido. E tanto este povo, repleto de gente boa, como esta fabulosa cidade, não merecem o fardo por que estão a passar.


 
  

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Astana vs SL Benfica: A segunda parte de uma ida e regresso ao fim do mundo.


Após a primeira noite bem dormida da viagem, hora de tomar o pequeno almoço, onde o mais indicado, era mesmo a omelete porque o resto acaba por deixar muito a desejar.

Barriga cheia e, já com 3 reforços vindos de Londres e do Luxemburgo, fizemo-nos à estrada. Mas agora com o trabalho de casa feito, apanhámos o autocarro na paragem mais próxima: o equivalente a 30 cêntimos levou-nos até ao centro da cidade, e poupou-nos uns quantos quilómetros de caminhada.
Após um pequeno passeio pelo centro apenas para ver as vistas, e dadas as ausências da véspera, voltámos a subir à torre e na verdade a vista nunca era de desdenhar, pois em contraponto ao dia anterior, o céu estava fechado. Quando nos preparávamos para descer o elevador, pessoal amigo destas andanças apareceu e pudemos comprovar o fenómeno "Material Benfica": quem tivesse casacos do Benfica fazia sucesso em Astana pois facilmente era confundido com um jogador da equipa. Acontecia sempre!

Chegados cá abaixo encaminhámo-nos para o centro comercial mais próximo para almoçar sem no entanto vários fenómenos deixarem de suceder:
  1. Começava a nevar. Era bonito mas terrível porque agora sim os passeios ficavam efectivamente escorregadios e cada passo era um perigo autêntico.
  2. Ainda estávamos junto à torre quando fomos abordado por dois locais que perguntavam se éramos adeptos do Benfica. À resposta afirmativa corresponderam com o desejo de tirarem então uma foto connosco. Satisfeito concedido, obviamente. 

Lá nos dirigimos então para um centro comercial onde a própria escolha alimentar não era a mais fácil: em muitos locais não havia qualquer tradução sobre o que era a comida e tinhamos de tentar adivinhar. Valia que no interior era a garantia de não haver frio. Foi também neste centro comercial que pudemos constatar que a dificuldade em encontrar uma caixa multibanco na véspera se deu ao facto de não termos entrado em zonas comerciais, praticamente: ali eram às dezenas.

Após o almoço continuámos a nossa caminhada no eixo-central da cidade que ligava a Torre ao principal centro comercial. Enquanto um dos nossos continuava a imitar as pistas de snowboard e a, por vezes acabar no chão, a boa disposição continuava. O frio não fazia mossa. No entanto pouco havia a visitar. Já a meio caminho encontrámos um restaurante onde contávamos ir jantar após o jogo mas dificilmente encontraríamos o mesmo aberto e haveria sempre dificuldade em regressar ao hotel pois após o jogo já não haveria autocarros para a zona onde estávamos albergados, quanto mais depos de jantar.




Aproveitando a famosa placa I Love Astana ainda tirámos algumas fotografias, e ao lado da qual estava uma estátua em bronze onde tirei uma das minhas fotos preferidas em Tours europeias, e fomos então para a zona do calor, isto é para o Centro Comercial principal da cidade. O primeiro local onde nos dirigimos foi ao último piso para irmos ao Khan Shatyr. O Khan Shatyr é uma praia interior, localizada no ultimo piso do Centro Comercial com o mesmo nome. A entrada era caríssima e resolvemos então que a melhor forma de passar o tempo, até irmos para o estádio era ficar ali a beber umas fresquinhas. E assim foi durante 2 horas.

Quando faltavam sensivelmente três horas para o jogo iniciámos a nossa caminhada de 3500 metros que tínamos até à Astana Arena. Acham pouco? Compreendo. Mas imaginem 3500 metros em que os pés têm de ir a rastejar, para evitar quedas, e com a cerveja ingerida a ter, constantemente de ser despejada... Pois... 

Já a menos de 500 metros do estádio aconteceu. O pé direito fugiu-me. Voei, dei meia pirueta no ar e... PUM ! Chão, corpo e testa. Como me caí, levantei-me com o ar mais natural do mundo. Ar de espanto nos locais ? Nenhum. Se calhar as quedas são comuns por ali, apesar de não ter visto nenhuma.

Seguimos então para os últimos metros, e junto ao estádio, moderníssimo, reparámos que havia tambem dois enormes pavilhões e um velódromo. Infra estruturas de elevadíssimo quilate não faltavam!


Chegados ao estádio, procurámos a porta e entrámos. A porta era algo com pouco sentido pois após entrar podíamos contornar todo o Estádio por dentro, sem qualquer impedimento físico para o mesmo. E foi assim que nos dirigimos ao canto oposto para comprar cachecol de clube, visto que do jogo, infelizmente, já tinham esgotado.
Voltámos então para o sector que nos estava destinado, e onde teríamos a companhia de mais de uma centena de Benfiquistas. Se a este número somássemos os que acompanharam a Benfica Viagens, ficamos com a noção da grandeza do Benfica. No fim do mundo e perto de 200 adeptos é algo de absolutamente memorável e poucos clubes no mundo o fariam. Nós fizemos.


Sobre o jogo não há muito a dizer. Começámos mal. Miseravelmente mal e vimo-nos a perder por 2-0, o que nos deixou loucos. Mas um bis de Raul, com um golo em cada parte, permitiu-nos alcançar um empate fundamental no apuramento, o qual acabou por nos saber a pouco pois a 10 minutos do final do mesmo optou-se por defender o resultado.

Após o términus da partida, alguns jogadores agradeceram, tendo dois deles entregue a camisola aos adeptos. Nós fazíamos as contas ao apuramento, que ficaria praticamente selado com o outro jogo dessa noite, no nosso grupo.

Saímos então do estádio, onde nos depedimos dos companheiros que tinham meio próprio de transporte, para iniciarmos a nossa longa caminhada até ao hotel: 9 quilómetros pela frente. O primeiro quilómetro foi feito à conversa com locais que falavam inglês e nos contavam que o filme do Borat havia sido proibido no país. Já perto da torre, com 1/3 do caminho percorrido, ainda pensámos em taxi mas o preço indicado nao foi a contento e seguimos a pé, com uma paragem no Burger King local para jantar. Quando chegámos ao hotel, apenas queríamos descansar, e assim foi. 
Dormir, acordar, tomar o pequeno almoço e apanhar o transfer para o aeroporto, onde chegaríamos à hora de almoço.

O transfer esse, foi sui generis: para 5 pessoas, com malas volumosas, um carro de 5 lugares com o vidro dianteiro fissurado. Top!

Chegados ao aeroporto, passámos o controlo de segurança e conhecemos um escocês, adepto do Dundee United, que acompanha o futebol cazaque. Confesso que me fez despertar a curiosidade de conhecer Almaty. Quem sabe no futuro...Aproveitámos também para gastar o resto da moeda local no free shop.



Separámo-nos então por voos: 3 seguiram para londres, eu e outro para Frankfurt, onde após chegarmos tive direito a boleia até Frankfurt Hahn, onde pernoitei. No dia seguinte, voo para Lisboa onde, por volta das 14:00 aterrei.

5 dias depois. Muitos milhares de quilómetros depois eu estava de volta. E perguntam vocês onde terei ido? Fácil. Tão fácil. Almoçar à Luz!

Depois sim foi tempo de ir para casa!

Esta, meus amigos, modéstia à parte mas fica para a História! E esta ninguem ma tira!

VIVA O BENFICA!

BENFICA I WILL FOLLOW!

sábado, 10 de setembro de 2016

Astana vs SL Benfica: A primeira parte de uma ida e regresso ao fim do mundo.


27 de Agosto 2015. Dia de sorteio da Champions. Ansiedade ? Muita. Perspectivas? Ainda mais ! Destinos desejados ? Alguns. Astana um deles? Nem pensar.

Grupo do Benfica: SL Benfica, Atlético Madrid, Galatasaray e Astana.

Reacção: "Asquê? Isto é no Cazaquistão, não é ? E como é que se vai para lá ? 

E foi assim que tudo começou...


Ora bem, como vamos para Astana ? Isto requer alguma logística, pensei eu. No entanto, passado apenas alguns dia,s já tinha marcado o voo de Frankfurt Main para Astana e regresso da mesma forma. Nesse momento ainda estava sozinho para a viagem... Na véspera desse voo tinha marcado a ida para Frankfurt Hahn, tal como o regresso do mesmo aeroporto no dia seguinte ao regresso de Astana. Ao todo seria de domingo a sexta. À Benfica, portanto! Duro ? Sim. Mas nós adoramos isto. Sempre adorámos.... 


Ao longo do mês seguinte, aproveitei para tratar das questões logísticas (estadia) e burocráticas (seguro de viagem e visto de turismo para um país que não tem representação consular em Portugal). A questão do seguro foi de resolução fácil, já para o visto, a ajuda dum bom amigo residente em Londres resolveu a questão. Depois, foi só esperar até final de Novembro para arrancar.

E tudo começou em dia de Derby. Derby da Taça, mais propriamente, e a terceira vez que enfrentávamos o eterno rival nessa época, o que acabou por coincidir com a terceira derrota. Haveria melhor altura para sair do país do que a semana após esse jogo ? Nem pensar. Perfeito. Assim não teria de aturar a ejaculação precoce de quem se preparava para ser Campeão do Universo. E foi após o derby que fui para casa fazer a mala. No dia a seguir começava a odisseia!

22 Novembro de 2015 - Às 12:55 descolava rumo a Frankfurt. A viagem correu de forma normal, através de low costs, mas tive um momento que me fez sentir miserável. Nunca fui uma pessoa preconceituosa e o preconceito sempre me incomodou. Até que a meio do voo, uma pessoa com uma barba característica estava demasiado perto da porta da aeronave e a olhar para a mesma com demasiada curiosidade para o meu gosto. Fiquei sobressaltado. Após alguns momentos a situação tornou-se óbvia face ao que se seguiu: o senhor em questão apenas aguardava a sua vez para ir ao WC que se localizava junto à porta. Lá está o velho ditado: "Don't judge a book by its cover". Algo que sempre soube, e que a cultura de medo face a recentes eventos à escala mundial fazem algumas pessoas duvidar. De resto todo o voo correu normalmente, e aterrado em Frankfurt Hahn foi tempo de apanhar o shuttle até à estação central de Frankfurt, no que seria uma viagem de uma hora pois o Easy Hotel, onde me iria instalar, ficava lá perto.
Chegado a Frankfurt, dirigi-me ao hotel, fiz o check-in, instalei-me e desci para jantar num pub ao lado. Apenas 2 ou 3 pessoas, e comi uma pizza. Após o jantar, sabia que estava perto do centro da
cidade, fui então dar uma volta pela zona nocturna da mesma no que se revelou uma desilusão: era domingo e não havia vivalma na rua. Lamentei o facto, regressei ao hotel e fui então descansar, pois o grosso da viagem ainda estava para vir...

No dia seguinte, acordar cedo e aproveitar o bom tempo para ir passear à única parte da cidade que me foi recomendada: a marginal do rio Main, perto da qual também se encontravam a montar algumas das típicas feiras de natal, bastante habituais em praças europeias. 
No regresso ao hotel, passagem pela zona económica, e ainda por uma loja do Eintracht para comprar o clássico cachecol de recordação. Infelizmente não pude ir ao estádio pois o desvio ainda era considerável e não havia tempo para isso.






Após o almoço, dirigi-me à estação dos comboios e fui então para o aeroporto de Frankfurt. Uma curta viagem de 15 minutos até chegar ao aeroporto mais congestionado da Europa, onde tudo é um mundo e onde ia finalmente começar a ter a companhia dum companheiro de viagem, oriundo de Londres, e com o qual me encontrei já na porta de embarque. À chegada, a curiosidade dos três destinos da fase de grupos (Istambul, Astana e Madrid)estarem "juntos" no placard das partidas. Nessa altura já só havia a curiosidade: "Air Astana ? Estou para ver...". E vi. E fiquei extremamente surpreendido com a forma como fomos tratados e com toda a amabilidade que tiveram para com os passageiros. O avião descoloou às 18:55 alemãs e aterrou às 05:45 em Astana. O voo esse foi passado a ver filmes ou a dormir, bem estendido nos três lugares que estava a ocupar



Aterrados em Astana, e após uma longa espera de meia hora nos serviços de emigração, levantámos as nossas malas e no hall das chegadas o transfer esperava-nos. Sem dar termpo sequer de levantarmos dinheiro, fomos encaminhados para o carro e assim que pusermos os pés fora do aeroporto o primeiro estalo de frio: era até aos ossos! E roupa quente não faltava, no entanto. Daí até ao hotel uma viagem de 25 minutos sensivelmente, ao longo dum deserto até entrar na cidade onde se viam muitos edificios modernistas, muitas obras.

Ao chegarmos ao hotel, pouco depois das 7 horas locais, mais uma boa surpresa: o quarto foi-nos desde logo disponibilizado, mesmo não tendo reservado a noite que estava a terminar, o que nos permitiu ir recuperar algumas das horas de sono em atraso e ainda podiamos ir tomar o pequeno almoço. Mas antes do descanso começavam a chegar novidades de outros companheiros de luta que tinham chegado tambem nessa madrugada: um deles contactava-me a saber se o nosso hotel teria vaga pois os apartamentos que tinham arrendado afinal não estavam disponíveis e encontravam-se nesse momento em Astana sem qualquer alojamento. Ficámos de falar mais tarde se necessário fosse...

Sensivelmente duas horitas depois, era hora de nos fazermos à rua e ir passear pela cidade gelada. Dos consócios chegava a notícia que tinham resolvido a situação, o que evitava mais dores de cabeça para a frente. E assim começou a nossa caminhada por Astana. Pelas nossas contas andámos mais de 20 km ao longo do dia, sendo que na maior parte do tempo tal deve ser feito com os pés a arrastar senão o chão é o destino do caminhante. Pela cidade viam-se prédios enormes em obras, mas paradas por razões compreensíveis. Em 2017 terá lugar a Exposição Universal na cidade, a qual ao longo do ano tem uma amplitude térmica de 80ºC. Do calor tórrido no verão, ao frio sibérico do inverno. No nosso caso andávamos com temperaturas negativas, mas nada de insuportável. 

A caminhada começou por uma longa avenida (uma de muitas, na cidade) rumo à Hazret Sultan Mosque, ao lado da qual se encontrava o Palácio da Independencia. Pelo caminho, um enorme condominio fechado sobresaia: era a embaixada dos Estados Unidos. No fundo um clássico em qualquer capital. Após o Palácio da Independencia, dirigimo-nos ao Palácio presidencial. Pelo meio tinhamos de atravessar um parque e um rio, ambos completamente congelados. E foi a partir daqui que entendemos que de facto, no inverno de Astana, as pessoas não podem andar: têm de rastejar. Senão todo o passo é um perigo. A zona do Palácio Presidencial é a zona central da cidade à volta da qual se encontram as principais actividades comerciais: Nesta altura procurávamos um multibanco pois continuávamos a não ter a moeda local e queríamos ir ver a cidade de cima, subindo à Torre Bayterek, o principal ex-libris da cidade. Após algumas voltas, e sem nunca nos lembrarmos de entrar em qualquer centro comercial, lá encontrámos um multibanco, o qual por momento chegámos a pensar que era o único...
Subimos então à Torre, aproveitar para tirar algumas fotos da cidade, tentar entender o que eram as coisas que estavam na torre e ir procurar um sitío para almoçar a horas tardias (tardias localmente porque no nosso horário biologico ainda estava a terminar a manhã...). Dito e feito. Após a refeição, hora de seguir para o principal centro comercial da cidade, o qual, até pelo seu formato, acaba por ser uma das principais atracções da cidade. Neste centro comercial estavam a passear os miúdos da equipa B, e foi aí que me apercebi que ter o fato de treino do Benfica era garantia de sucesso na cidade: os locais estavam loucos com a presença do Benfica.


Após a saída do shopping, e do calor que lá estava, com a perfeita noção que nos restava uma longuíssima caminhada até ao hotel,e a noite já caía, lá seguimos. Já era de facto de noite e a iluminação artificial dos prédios acabava por dar uma cor fantástica à cidade.
Já perto do hotel, um dos primeiros momentos de intriga: encontrava-se ali uma estátua de Charles de Gaulle. O que o justificaria ?  Ficaria a saber mais tarde que a única razão era que o mesmo tinha sido erigido para simbolizar as fortes relações entre o Cazaquistão e a França.


A duas centenas de metros do hotel, aproveitando a presença de um KFC e o facto de uma das empregadas saber falar inglês, aproveitámos para jantar, e seguir para o hotel. A exaustão era enorme, e era uma boa altura para aproveitar a piscina e a sauna para a recuperação. Veio então a desilusão: estava em obras e era portanto impossivel utilizar....

Remédio santo: subi ao quarto e fui para a internet tentar perceber como funcionavam os autocarros em Astana (único meio de transporte disponível se excluíssemos os taxis), pois na madrugada que se aproximava chegariam mais 3 dos nossos e o estádio ficava ainda mais longe do que o local até onde tinhamos ido nesse dia....