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sábado, 28 de janeiro de 2017

Liverpool - Benfica: a viagem que mudou tudo.

Sábado - O Benfica joga na Amadora

O Benfica vai à Amadora. O Benfica não joga grande coisa, mas o árbitro ainda consegue estar pior! O Benfica marca na última, um golo do Rato Piccoli e pôs os seus adeptos a vibrar e a sonhar com Liverpool. Por falar em Liverpool, já ninguém fala de outra coisa. Quem vai, está ansioso, quem não vai lamenta-se.

Domingo

É o chamado dia de descanso. A ansiedade vai tomando conta de quem vai a Anfield Road.

Segunda feira

Véspera da viagem! O estomâgo aperta tal é a ansiedade. À noite eu, a R. e o R. fomos às compras abastecer as geleiras para a viagem mais aguardada dos últimos três meses.

Terça Feira

Acordei eram 8h da manhã. Às 8h45 estava à porta de casa da R., para seguirmos para a Luz onde apanharíamos o R. e a C. A pulga estava por lá para nos desejar boa viagem. Arrancamos e assim que passamos a ponte, um homem tinha-se atirado do 1º viaduto do Pragal. Começava bem a viagem! Paramos na área de serviço em Palmela para tomarmos a dose de cafeína necessária para enfrentar a viagem, e à posteriori seguimos para Palmela onde nos encontraria o carro dos GM, do GS e seus amigos, bem como o carro do dR. F.
Já todos juntos rumamos rumo a sul, onde na área de serviço de Olhão encontramos o carro do RH que se dirigia para Málaga, comemos qualquer coisa e arrancamos rumo a Granada. Passada a fronteira surge o primeiro problema. O meu carro estava avariado, a embraiagem tinha dado o berro e tinhamos duas soluções. Chamar o reboque e voltar para trás (impensável) ou chamar o reboque e solicitar a assistência em viagem até Granada. Obviamente escolhemos a segunda hipótese, pois no regresso as pessoas do meu carro seriam distribuídas pelos lugares disponíveis nos restantes. Após convivio ao som de Benfica Mix à beira da Autoestrada enquanto o Taxi não chegava, eis que chegou quem chamámos de salvador. O Cláudio, condutor do Taxi que nos levou até Granada, percurso durante o qual esvaziámos umas quantas garrafinhas de bebidas alcoólicas.
Chegados a Granada, o caos... O voo tinha sido cancelado devido a greve dos controladores aéreos franceses e a única opção que nos davam era ir para sevilha para apanharmos um avião que nos permitiria chegar à meia hora de jogo. Fora de questão, eis que arrancámos para Málaga, excepto o R. que acabou por voltar para trás. (Em Granada já se encontrava o Y. que optou por voltar igualmente a Lisboa)

Quarta Feira - O dia do Jogo!

Chegámos a Málaga já depois da meia noite. As hipóteses de ir para Liverpool são caríssimas. Os GM já se safaram e vão directos para Liverpool, e todos os cenários são negros. No carro do GS, ele, a M. o K e o R (outro que não o do meu carro) marcam a sua viagem de madrugada na net, os restantes aguardam pela manhã. Pelas 8 horas da manhã abre o balcão da Easy Jet. Coloco todas as hipóteses, até não ir, apesar de não ter boleia para regressar enquanto o pessoal que ia a Liverpool não regressasse. Lá acabo por marcar viagem, tal como a C. e o Tobi. Já estamos quase todos, excepto a P. a R., o MS e o dR. F. Acabo por lhes dizer que normalmente os últimos a safarem-se obtêm a melhor viagem, e assim aconteceu. Pelas 10 da manhã, já todos os que tinham ido a Málaga tinham viagem assegurada.
Embarcamos e seguimos para Londres (eu, o GS, a M, o R, o K, a C e o Tobi) onde alugamos um carro para seguir para Liverpool onde encontraríamos os restantes camaradas. O carro do dR. F tinha voo para Manchester.
Chegamos a Liverpool apenas a uma hora do jogo, mas na terra dos Beatles, tudo foi perfeito! Que vitória, que apoio, foi algo de verdadeiramente épico. Algo que fez valer a pena tudo aquilo por que passei!
Termina a partida e vamos à procura de um local para dormir (os 7 do meu carro "britânico"), em Liverpool. Passado algum tempo de procura reparamos que nada havia e decidimos arrepiar caminho e começar a andar rumo a Londres e procurar hotel nas áreas de serviço.

Quinta Feira 

São quase 3 da manhã, estamos perto de Birmingham e finalmente encontrámos um local onde dormir. Vão ser poucas horas mas vão saber que nem mel! Às 12h estamos a sair de Birmingham rumo a Londres para apanhar o avião em Stansted, pelas 16h35. A viagem corre bem até aos arredores do aeroporto. Autoestrada parada, e problemas na entrega do carro alugado, só nos permitem fazer o check-in em cima da hora. Quando parece que tudo se resolve, eis que distracções várias, e uma fila monumental no controle de segurança (para um aeroporto inteiro, havia apenas 2 máquinas de Raio X a funcionar) fazem-nos perder o avião. Lá tivemos que pagar uma multa, para ter direito a viagem no dia seguinte para málaga, viagem essa que partia de outro aeroporto londrino (lá tratámos de alugar mais um carro). Ficámos num Irish Pub do aeroporto de Stansted até às 21h00, hora à qual seguimos para Gatwick. Nessa altura reparamos que no dia a seguir, estaremos 11 pessoas em Málaga e apenas 2 carros disponíveis! A saga ia continuar.

Sexta Feira

Já no aeroporto, encontramos o MS, dR.F, P e a R. Ficam parvos quando nos vêm, e só se riem quando lhes contamos o que aconteceu. Entretanto o Tobi repara que tinha uma garrafa de vinho do porto na mochila. Ficou a festa feita. Mais tarde ainda fechámos a pestana, e à hora de embarque eramos dos primeiros junto à porta!
A viagem de avião fez-se bem, tive das melhores aterragens que me lembro e ainda consegui dormir no avião (coisa rara...)
O voo que trazia os restantes 4 magnificos chegou à mesma hora que nós. A partir daí começamos a arranjar maneira de tentar por todos em Lisboa. Após árdua pesquisa, lá descobrimos que a melhor maneira e mais económica seria alugar um carro, que não estava disponível no aeroporto, e teríamos de ir até ao centro da cidade. Chegados ao carro do K, que me ia dar boleia até ao centro da cidade, não pegava. Tinham ficado sem bateria porque se esqueceram de uma luz acesa. Passado 2 ou 3 horas, eis que estou finalmente de carro na mão, o carro do K, com o R, a M e o GS já seguiu para Lisboa, e passo pelo aeroporto para apanhar quem ia no meu carro. A C. já tinha ido comigo, e faltava apanhar o Tobi. No outro carro seguia o MS, dR.F, P e a R. Finalmente arrancávamos rumo a Lisboa, mas ainda não tinha acabado. Ao longo da autoestrada, tudo corria bem, até que de repente estávamos perdidos no centro de Sevilha. Após 1038319 perguntas a espanhóis, lá houve algum que nos explicou bem como sair dali e apanhar a autoestrada desejada. Já passava das 22h quando entrámos em Portugal. Aquela placa foi tão desejada.... Paramos na área de serviço de Olhão para comer, era a última paragem!

Sábado

Já passava da meia noite quando saio da A2 para o Seixal, onde deixo a C. e o Tobi, e sigo para o aeroporto de Lisboa onde tenho de entregar o carro. Estaciono o carro já no parque respectivo, mas não há ninguem para verificar que tudo está OK.
Volto para casa, com o mesmo carro, vou dormir.
Às 13h, lá estava eu finalmente a entregar o carro e receber o OK.
A odisseia a Liverpool estava oficialmente terminada!

Para nunca mais esquecer!

Obrigado a todos! Sobretudo os 10 Mágnificos (GS, M, dR.F, P, R, C, R, K, Tobi e MS - eu era o 11º)!

Voltaria a fazer tudo igual!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Istanbul: Antes e depois



Outubro de 2015. A situação na Turquia já não é a mais estável, e o Benfica vai lá jogar. Dúvidas em ir ao jogo nunca houve, e os principais problemas têm sido na capital, Ankara. Em Istanbul, cidade que chamo sempre de Constantinopla (e assim o farei ao longo deste texto), os problemas parecem localizados perto da Praça Taksim, um local longe de onde vamos ficar.

O ponto de partida é dado na Luz. Em frente ao pilar onde José Águas segura a Taça dos Clubes Campeões Europeus com um sorriso que não é o dele apenas, mas o de todos os Benfiquistas de hoje e de sempre. Daí seguimos para o aeroporto, onde se juntou o PT e pouco depois levantámos voo rumo a Munique, onde faríamos escala.

Munique é o aeroporto europeu onde mais gosto de fazer escalas, caso sejam superiores ao tempo de ir de uma porta de embarque a outra. A praça central é fantástica com bom ambiente, boa cerveja e boas batatas. Assim foi e assim que aterrámos dirigimo-nos para a Praça em questão, para uma roulotte em forma de avioneta, que já conhecíamos doutras tours, mais precisamente. Após uma bela caneca de cerveja, voltámos a entrar no hall das partidas, e passado o controle de documentação dirigimo-nos a uma papelaria onde acabei por adquirir duas belas revistas.

Partimos então pouco depois para Constantinopla, onde aterrados já de noite, nos esperava o transfer. Este funcionava com uma logística interessante que acarretava 3 pessoas: uma ostentava a placa com o nome, e à qual nos dirigimos. Após nos identificarmos, outra pessoa encaminhava-nos para a carrinha, onde outra pessoa nos aguardava para nos levar até ao hotel. E assim se criam postos de trabalho.

Chegados ao hotel, situado em Sultanahmet com vista para a Mesquita Azul e para a Hagia Sophia. Melhor localização era impossível. Após fazer o check-in, dirigimo-nos para um bar que ficava a poucos metros do hotel e onde nos aguardavam alguns companheiros de luta, oriundos de outros países. O andamento já era grande, com muita cerveja e shisha, mas depressa apanhámos o ritmo. Até a Ser Benfiquista tocou naquele beco de Sultanahmet.

Saídos do bar já de madrugada, fomos até à Praça Sultanahmet tirar uma foto de grupo, para depois recolhermos ao hotel porque o dia seguinte prometia e envolvia não dormir antes do regresso a Lisboa.


Assim que foi fisicamente possível, levantámo-nos (reparem como se diferencia o acordar do levantar. Acordar em Istanbul é muito fácil, tal a quantidade de chamamentos para as Mesquitas) e tomado o pequeno almoço fomos visitar a Cisterna Basílica, a cisterna mais antiga que ainda resiste no subsolo da cidade. Saídos da cisterna, e após decidirmos não visitar a Hagia Sophia, não só pelo preço sobretudo (no meu caso) pelas filas que nos fariam perder muito tempo na visita à cidade, fomos até à Mesquita Azul, a maior do mundo fora de Meca. Da Hagia Sophia até à Mesquita Azul não dista mais de uma enorme e bela Praça com dois Obeliscos e um Coreto, onde outrora se situava o hipódromo de Constantinopla. 

Cisterna Basílica

Praça Sultanahmet

Chegados à entrada para o complexo da Mesquita, dirigimo-nos para o lado direito, onde se situava a entrada dos visitantes, e uma pequena fila de não mais de 5 minutos estava à nossa espera. À entrada descalçamo-nos, e assim que entrámos foi impossível não ficar esmagado com a grandiosidade da Mesquita. Estupenda! Brutal! Indescritível! Era de facto um local soberbo que correspondia a todas as descrições que me haviam dado anteriormente.


 

Muitas fotos depois saímos para os jardins da Praça, onde as fotos continuaram, e daí seguimos em direção a Norte, Era a altura de ir para o Grande Bazar. Pelo meio apenas uma pequena paragem para levantar dinheiro (sim, acreditem que é relevante).

Entrada GrandeBazar

Após uma caminhada de sensivelmente mil metros, chegámos então ao Grande Bazar. Um mundo de lojas onde se encontra de tudo e onde falam de tudo. Entre a nossa malta, comprámos ténis, cachecóis e casacos, perante vendedores que falam todas as línguas possíveis e imaginárias, e com os quais compensa, e bem, regatear o preço. Da parte mais a baixa do Bazar, continuámos a descer em direção ao Bósforo, passando pelo Mercado de Especiarias, onde o JP achava que tinha tido um desconto amigo, até andar mais uns metros e ver algo igual à sua compra que ia ficando cada vez mais barato. Acontece a todos...

Chegámos então junto à ponte de Galata onde decorriam algumas manifestações políticas, da qual nos aproveitámos para nos apropriarmos de algumas bandeiras da Turquia, tirarmos algumas fotos junto ao Bósforo e, finalmente, almoçar. O almoço decorreu tranquilamente, embora tardio, e após o mesmo fomos deixar os pertences ao hotel, buscar o material e os bilhetes e eis que alguém se lembrou que podíamos seguir a pé até ao Meeting Point de adeptos do Benfica porque, e passo a citar, "é já ali à frente!". Quem nos disse isso era a pessoa que melhor conhecia a cidade e por isso  acreditámos!

O meeting point estava marcado para uma praça em frente ao estádio do Besiktas, que se encontrava então em remodelação, onde nos aguardariam uns autocarros para nos levar até ao estádio. E para lá chegar, tivemos de fazer uma caminhada de 6 km (É já ali...), não sem abdicar de paragens para uma bela foto à Benfica após a travessia da Ponte de Galata.

Benfica pelo mundo
Chegados em frente ao Estádio do Besiktas ainda muito cedo, nada se passava. Havia apenas um café, com esplanada, o qual não tinha licença para vender bebidas alcoólicas. Ficámos então a chá e café, enquanto não se dava o tiro de partida rumo ao Turk Telekom Arena, o qual sucedeu já ao final da tarde.

Foram pouco mais de 13km de autocarro até ao lado Norte da cidade, no meio dum trânsito absolutamente infernal, mas com a polícia turca a abrir caminho, fazendo um trabalho extremamente eficiente, e deixando os autocarros numa zona própria e impenetrável já com acesso directo à porta da bancada. Outros dos nossos seguiam de metro, tendo tido viagem igualmente tranquila.

A entrada de material decorreu da melhor forma, e à chegada ao cimo do estádio, onde se situava o nosso sector, ficou a imagem dum estádio grandioso que infelizmente não encheu não nos permitindo ter a noção do que é o verdadeiro ambiente turco. O Benfica entrou a ganhar, literalmente, no jogo com uma obra de Nico Gaitán, mas viria a perder o jogo por 2-1, sem no entanto hipotecar as hipóteses de apuramento como se viria a ver mais à frente. Após o final do jogo, os mesmo autocarros levaram-nos até ao Estádio do Besiktas onde nos aguardava uma autêntica coluna de táxis para nos levar. Obviamente ninguem queria ir de taxi pois havia um tramway que nos levava até à porta do hotel, e fomos todos até à estação que se encontrava 100 metros mais à frente. Lá chegados, o serviço de tramway já tinha encerrado, e tendo noção disso, a coluna de táxis também foi até à estação onde acabaram por ver-lhes sair a sorte grande, tal a quantidade de malta a apanhar táxi ali.



Fomos então até ao hotel deixar o material para depois irmos jantar. Aí chegou o dilema, estava tudo fechado exceto o MacDonalds. No Mac não tinham comida para todos (sim, isto foi-nos dito num MacDonalds...) o que nos obrigou a ir procurar um restaurante aberto e que fechasse tarde para podermos estar ocupados até às 2 da manhã, hora a que o nosso transfer nos viria buscar para levar ao aeroporto. Assim dito achámos um restaurante impecável nas redondezas e onde comemos impecavelmente. Findo o jantar chegou mais uma surpresa... Quando ia a pagar reparei que não tinha o meu cartão MB. Tinha ficado na máquina onde tinha levantado dinheiro pela manhã, era a única hipótese. Foi então tempo de ligar para Portugal e resolver a situação o que se conseguiu em tempo útil: cartão cancelado. Jantar pago e regressámos então ao hotel onde já nos aguardava o Transfer. Um louco turco que a cada vez que olhava para nós e percebendo ao que tínhamos vindo, apenas dizia "Galatasaraaaaaay". 

Chegados ao aeroporto e enquanto o embarque não ocorria, eu confesso-vos que aterrei. As imagens não mentem... E não fui o único!


Embarcámos depois rumo a Frankfurt, onde conhecemos a equipa sub 19 feminina da Suécia, que assim que soube que éramos do Benfica reagiu com um rápido: "Lindelof". Pouco depois embarcámos e rumámos a Portugal. Estava feita mais uma Tour. E tinha valido muito a pena! Tanto que a vontade de voltar a Constantinopla era enorme!


Novembro 2016. O Benfica volta a Constantinopla. Desde a última visita, 13 meses antes, já houve inúmeros atentados na cidade, um deles pouco tempo depois da nossa ida, junto aos obeliscos. Já houve inclusive uma tentativa falhada de golpe de estado, já depois de termos marcado viagem. O medo não vencerá. Nunca poderá vencer. Por isso vamos a uma das mais fabulosas cidades que já vi, novamente, e com mais tempo para visitar. Pensava eu...

Atentado na Praça Sultanahmet em Janeiro 2016

Assim que foi o sorteio, resolvi que ia regressar à Cidade de Constantin. Apesar de toda a turbulência existente, valia a pena lá voltar, e as coisas até estavam mais baratas. Para mais, era possível ir de madrugada, chegando lá ao fim da tarde, e só regressar 48 horas depois o que nos dava um hiato temporal para visitar muito mais coisas. Estava decidido! 

E assim foi que na madrugada de 22 de novembro nos juntámos, pelas 4 da manhã, no aeroporto da Portela. Vinha aí mais uma viagem que a greve da Lufthansa não tinha afetado. Felizmente!

Da viagem até território turco, desta vez, pouco havia a destacar e lá chegados fomos diretos ao mesmo hotel, com transfer novamente, onde fomos efusivamente saudados pelo rececionista que se recordava de nós. Após nos instalarmos, saímos para jantar, tendo ido a um local que não conhecia, para sul da Praça Sultanahmet, numa rua extremamente turística, tendo optado por pratos tipicamente turcos. Não saímos defraudados, nem com o preço nem com a comida. Tudo impecável, e com a possibilidade de apenas atravessar a estrada, após a refeição, para vermos os jogos da Champions que decorriam nessa noite, e a poder consumir álcool; e assim começou o consumo de cerveja, shisha e, obviamente, de Raki, enquanto o nosso rival era eliminado da Champions. Como referi, o restaurante encontrava-se numa zona turística. No entanto as ruas estavam às moscas. Dizia-nos o senhor do restaurante que tem sido assim nos últimos meses. Desde que os atentados começaram em Constantinopla que o turismo em massa desapareceu e as zonas turísticas apenas contam com os locais para subsistir. A situação começa efetivamente a ficar complicada. Após o jantar e os jogos de Champions, acabámos por recolher ao hotel, vencidos pelo cansaço. No dia seguinte, a jornada seria longa.



Logo pela manhã, e com o sol a brilhar, subimos para o pequeno almoço e saímos logo de seguida. Do bar do hotel ficava uma imagem marcante: a Praça Sultanahmet estava vazia em comparação com ano anterior. O turismo em massa era, de facto, inexistente. A Hagia Sophia não tinha qualquer fila. Esta cidade fabulosa não merece o fardo pelo qual está a passar. Não merece mesmo. 


Sendo eu o único interessado em ir à Hagia Sophia, acabámos por não visitar o complexo para pena minha, e descemos então diretamente para a Ponte Galata. Aí já tinha algo em mente: ir fazer um cruzeiro de duas horas no Bósforo. Diz quem sabe que valia a pena...


Lá chegados, ainda tivemos de esperar perto de uma hora pela partida, mas uma coisa é certa: valeu a pena a espera. A viagem fez-se ao longo de duas horas, vistas fantásticas da cidade desde o mar, o lado europeu, o lado asiático, o Vodafone Arena, que iriamos visitar mais tarde, e a eterna Mayden's Tower ali tão perto. Foram imagens que ficaram mesmo gravadas na minha memória a ponto de, quando voltar à cidade (e voltarei, certamente) farei o cruzeiro não de 2, mas de 4 horas que vai até ao Mar Negro.

Ao longe o Vodafone Arena 




Constantinopla - Lado asiático

Maiden's Tower

Findo o Cruzeiro, e aproximando-se a hora de almoço, íamos então até ao hotel ter com os nossos para comer qualquer coisa e depois visitar mais algumas coisas. Para a manhã do dia seguinte tinha deixado a ida ao Grande Bazar e ao verdadeiro Banho Turco. Estava então no caminho para o hotel, perto do Mercado de Especiarias quando recebo a mensagem bomba enviada pela Lufthansa: os meus voos de regresso tinham sido cancelados devido à greve. Paralisei e em passo alargado regressei ao hotel. O stress era enorme, e toda a programação para o resto da estadia estava estragada. No hotel entrei em contacto com a família e com amigos dados a estas coisas, os quais me tranquilizaram. Passado uma hora dizem-me que apesar da ida em vão ao aeroporto da Portela (pois o problema tinha de ser resolvido em Istanbul), que vou poder voltar num voo direto, da Turkish mas que o mesmo partiria de manhã (Lá se ia o grande bazar e o banho turco) e para ir almoçar.


Assim fomos, para um restaurante perto e com cerveja. Após o almoço fomos então ao grande bazar. Polos Fred Perry, ténis New Balance. Foi este o saldo (não o meu) do nosso pessoal. Um clássico das idas a Constantinopla. Entretanto ia consultando o mail constantemente, e já no regresso ao hotel, recebi os etickets para o regresso no dia seguinte. Aqui sim respirei de alívio. Mas não por muito tempo...

Aproximava-se a hora do jogo, e novamente a ansiedade voltava a subir, agora pelos bons motivos. Distribuídos os bilhetes e o material para levarmos para o estádio, fomos à procura dum táxi para nos levar à Praça Taksim. Erro crasso. Não tendo chamado o táxi do hotel acabamos por ser vítimas do condutor que acabou por amealhar uma maquia que nem nos seus melhores dias sonharia. Mas é com os erros que aprendemos. Chegados à Praça Taskim, situada a 500 metros do estádio, encontrámos os mesmos autocarros amarelos da época anterior, para levarem os adeptos para o estádio. No entanto, face ao número reduzido, as autoridades optaram por nos conduzir a pé num trajeto que decorreu com a maior das tranquilidades.


À entrada do estádio os primeiros problemas: moedas não podiam entrar, enormes reticências relativamente ao material e discussão acesa entre os adeptos portugueses e as autoridades turcas que não falavam inglês. A questão do material acabou por se resolver, a das moedas não.

Acedi então à bancada. O estádio, novo, dava pica. À medida que se ia compondo de público, o ambiente ia animando. O jogo começa com um minuto de silêncio dos locais para marcarem a diferença, momento aproveitado por todos nós para deixarmos a nossa marca. No fim desses 60 segundos, um barulho que até hoje ficou na minha cabeça. Que inferno. Que ambiente brutal. Quem o viu, ouviu e sentiu não vai esquecer nunca. Mas o Benfica entrou bem e ao intervalo ia vencendo por 0-3, o que baixou em muito o apoio que vinha das bancadas. Apesar do fervor e do fanatismo, lá como cá, nas horas más eles também vão abaixo. Mas a última meia hora a equipa turca regressou das cinzas e com ela o inferno do Vodafone Arena, com o empate conseguido em cima da hora. Em vão porque acabaram por ser eliminados na última jornada...


 


No final do jogo, apenas após alguns minutos, fomos encaminhados para fora do estádio e conduzidos pela polícia para a Praça Taksim. Escoltados por pouco mais de meia dúzia de agentes, e com alguns adeptos do Besiktas na nossa peugada, houve alguns momentos de ansiedade. O transito esse, continuava caótico. Já perto da Praça Taskim enfiámo-nos num Táxi e a primeira pergunta após informarmos o destino, foi perguntar quanto seria a viagem. O taxista de pronto disse que seria o valor do taxímetro. Ótimo!

Chegados ao hotel, fomos então jantar perto do mesmo local onde havíamos almoçado, num restaurante com um empregado muito pouco ortodoxo e onde os gatos tentavam a todo o custo entrar. Após o jantar recolhemos de pronto ao hotel. O regresso ia ser na manhã seguinte e havia que descansar.

Na manhã seguinte, saí do quarto assim que abriu o pequeno almoço e dirigi-me ao grande bazar para comprar um espremedor de romã prometido (recomendo a todos, há poucos sumos melhores...), regressado ao hotel apanhámos o transfer rumo ao aeroporto onde nos aguardava um confortável voo direto, da Turkish, rumo a Lisboa. Aterrado em Lisboa, aconteceu o óbvio: pegar no carro e rumar à Luz. Não há nada como ir a casa e ver amigos. Amigos à séria!



Viva o Benfica!

Janeiro de 2017. Desde que fomos à Turquia já houve o assassinato do embaixador Russo, e um ataque junto ao Vodafone Arena. A foto à esquerda é minha. A foto da direita é do atentado. O local do carro que explode, é o mesmo onde me encontrava quando tirei a foto ao estádio. Voltarei, no entanto, quando possível, a Constantinopla. Se o medo vencer, eles também terão vencido. E tanto este povo, repleto de gente boa, como esta fabulosa cidade, não merecem o fardo por que estão a passar.


 
  

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Napoli vs Benfica: uma ida à cidade que não sorri





Desde que foi o sorteio, que estava gerada a expectativa. O Benfica ia voltar a Itália, desta vez a uma cidade sisuda, que quem conhecia me descrevia da seguinte forma: "Aproveita-se a marginal na zona do castelo, de resto é uma cidade suja, com um transito inacreditável e onde todos desconfiam de todos". Sabiamos que íamos estar também num dos ambientes Ultra mais fechados de Itália. Perante uns adeptos que odeiam tudo e todos e orgulham-se disso.

Dada a forma como a mesma me foi descrita, pode-se dizer que praticamente tudo correspondeu ao que me haviam dito. Mas lá chegaremos.

A logística não foi fácil, mas a forma encontrada foi voar para Roma, onde dormiríamos na véspera do jogo, seguir perto da hora de almoço para Nápoles, dormir lá após o jogo (era inevitável pois não havia comboio de regresso após o jogo e as recentes experiências de aluguer de carro em Itália recomendavam-me a não fazê-lo), voltar cedinho no dia pós jogo para Roma, e a meio da tarde voar para Lisboa.

Tudo em contra-relógio portanto, o que no caso de Nápoles se justifica, mas no caso de Roma não. Nunca, jamais em tempo algum. Roma é uma cidade soberba, mágnífica sobre a qual me faltam adjectivos para a descrever. Quando alguém me diz que vai a Roma e não se apaixona pela cidade só posso deduzir que está a mentir. Aliás, não o deduzo porque nunca ninguém o fez. Parece-me esclarecedor...

Foi assim que ao final da tarde embarcámos rumo a Roma, o voo correu tranquilamente, tinhamos a preocupação sobre a forma de ir de Ciampino para Termini pois um eventual atraso faria com que perdessemos o último shuttle para a cidade mas tal não sucedeu e até Termini tudo correu bem. 
À porta de Termini aguardava-nos um conhecido Romano que mostrou que os Grandes sabem sempre receber bem. Não nos surpreendeu. Dada a hora tardia (perto da 1 da manhã local) rapidamente nos despedimos e seguimos para o hotel fazer o checkin, uma pequena caminhada de 5 minutos, tendo acordado o recepcionista para nos podermos instalar.






Instalados, internet a bombar nos dispositivos móveis e tudo ok para irmos à rua comer qualquer coisa. Um estabelecimento de fast food indiano logo ali foi o nosso pronto socorro para metermos algo no estomâgo enquanto dois estrangeiros tentavam por ali conseguir um local para dormir havendo um ambiente estranho. Não era claramente recomendado nos alongarmos por ali. Comemos e regressámos ao hotel. Pelo menos dois de nós, porque ainda havia um intercâmbio euro-asiático na Piazza di Santa Maria Maggiore.



Na manhã seguinte, dia de jogo. Após acordar e tomar o pequeno almoço, seguimos tranquilamente para Termini onde nos aguardava o comboio regional rumo a Napoli, viagem com a duração prevista de 2h45.

Entre conversas e vistas engraçadas pelas janelas, a viagem até se fez bem, tendo a última meia hora da mesma sido feita já com o Vesúvio na vista: é imponente e salta claramente à vista.



À chegada à Stazione Centrale de Napoli, além do calor que se fazia sentir e da Napoli Store que nem cachecóis tinha, percebemos que não estavamos em zona de conforto. A cada passo dado, a sensação de estar a ser observado Ainda na Praça Garibaldi, paragem num quiosque para despachar a questão dos ímans locais.
A 5 minutos da estação, se calhar nem tanto, estava o nosso hotel, onde fomos bem recebidos. Um pequeno hotel, onde logo se disponibilizaram para nos servir o pequeno almoço no dia do check out antes da hora pré estabelecida (só servem às 7:30, mas o nosso comboio seria às 7:45). O nome ? CineHoliday Hotel, um hotel decorado com personagens e cenas de cinema e onde os quartos têm nomes de actores. O nosso ? Marylin Monroe! Fácil!


Enquanto arrumávamos as coisas, fomos debatendo qual seria o plano para a tarde e ficou definido que seguiriamos dali directos para o meeting point, pela principal avenida da cidade, a Corso Umberto I, e se pelo caminho houvesse algo para comer, almoçaríamos aí.
Enveredámos então pelos dois quilómetros de caminhada que nos aguardavam sem qualquer percalço, mas sem encontrar nada em especial para comer, até que já com o castelo da cidade à vista, o qual ficava à frente do meeting point, saímos da avenida principal ao ver uma pequena pizzaria. Nessa rua um pequeno grupo de Napolitanos ficou em observação, e com a sensação de que iriam tentar algo. Dentro do restaurante alertavam-nos que o grupo de cinco napolitanos estava do lado de fora à nossa espera, mas fugir dali não era solução. Na verdade vimos que eles estavam, quando entrámos no restaurante, na única saída que sabíamos onde ia dar, e não fazia sentido andar a arriscar outras. Assim sendo, comemos e no final da refeição, felizmente, já não se encontravam lá, quiçá vencidos pelo cansaço. 
Sem mais demoras, seguimos para o meeting point: a Stazione Maritima onde se apanham os barcos para Capri, entre outros, e que distava 100m do nosso restaurante. 
Esta zona da Stazione Maritima e do Castelo parece ser de facto a mais bonita da cidade, para não dizer a única. Tem é o problema de estar tudo em obras e o cenário estragado. E o acesso à beira rio é negado, por ser propriedade da Marinha Italiana e tirar fotos não fica de todo nada acessível.


Por volta das 17:30 locais, a 3 horas e 15 minutos do ínicio do jogo, os agentes da autoridade locais já se mostravam apressados para sair para o Stadio San Paolo. Não entendíamos bem a pressa para seguir para um estádio que se encontrava a 6 km de distãncia a pé. Começavam aí as más surpresas...


Para entrar no autocarro, todos os adeptos tinham de ser revistados, tirar o cinto, com a promessa que o mesmo seria devolvido após o jogo (conseguimos ir à pressa guardar os nossos no quarto dum de nós que estava hospedado a 100 metros), e ser fotografados com a identificação e o bilhete do jogo à frente, qual presidiário ou criminoso. 



Após todos os adeptos, um a um, terem passado pelo processo descrito, os 4 ou 5 autocarros foram arrancando rumo ao Estádio. Estranhámos que o percurso adoptado estivesse a ser contrário à direcção do estádio, mais tarde percebemos porquê. Para chegar a um estádio que estava a 6km apé de distância, fomos brindados com um passeio de 61 km de autocarro, em hora de ponta numa cidade que, já de si, tem um trânsito infernal. Pelo meio ainda deu para ver o sunset na costa italiana...

61 km depois, já com noite cerrada, chegámos ao San Paolo. Nenhum adepto Napolitano perto da nossa porta, elevadíssimo dispositivo policial, a entrada fez-se após mais uma apertada revista, como se tudo o que passámos antes não chegasse. 
Entrámos, a pouco e pouco o sector foi-se compondo, só que a totalidade dos adeptos só se encontrou lá dentro perto do intervalo: quem foi de carro acabou por pagar a factura do transito caótico da cidade.

Lá dentro, perdoem-me, mas foi inesquecível. Se na primeira parte o resultado nos pareceu injusto, com um 1-0 ao intervalo e um bom apoio da nossa parte, ao calamitoso ínicio da segunda parte dentro das quatro linhas, associou-se um incrível apoio de todos os Benfiquistas presentes sem excepção. Porque todos os presentes têm a noção que há algo que ao Benfica nunca poderá faltar: a sua voz! Aquela que representa o nosso amor. E essa, nunca faltou e nunca faltará. 1-0, 2-0, 3-0, 4-0, 4-1, 4-2, Apito final. A única constante em tudo isto foi a nossa voz, que nem os muitos quilómetros de viagem e cansaço conseguiram calar. A que foi reconhecida por todo o plantel ao agradecer a um sector onde não se notava que o jogo tinha terminado pois o silêncio só apareceu depois de todas as equipas recolherem aos balneários.
Após uma meia hora retido nas bancadas, abertas as portas para o regresso aos autocarros: Coincidente a esta abertura, deu-se a devolução dos cintos: aos que foram individualmente, tudo ao desbarato à porta do estádio, qual feira da ladra, aos que foram nos autocarros, cada um tinha o saco com os cintos dos seus passageiros. Mas qualquer um podia lá entrar...
Deu-se então o regresso à Stazziona Maritima. O assunto era as situações de aperto, ou semelhantes, que alguns de nós tínhamos vivido durante o dia durante um caminho mais curto que o do pré jogo e onde todos desmobilizaram assim que chegámos. Fomos guardar as coisa no hotel onde ficaram os nossos cintos, saímos para jantar a pior sandes de sempre, recuperámos as coisas e voltámos ao hotel para descansar. Já passava da uma da manhã e às 6:30 já nos estávamos a levantar.


Pequeno almoço tomado, checkout e saída para a estação. Às 7:45 arrancou o comboio rápido rumo a Roma. A viagem durou 1:10 e foi da noite para o dia. Passámos da cidade que não sorri, para a cidade dos sonhos. Onde te abordam com um sorriso na cara, onde te tentam convencer a comprar bilhetes para ir ver a Roma, onde há inúmeros turistas, onde há um coliseu de sonho, onde andas durante 7 quilometros, vês alguns dos grandes ex-libris da cidade (e são tantos que nunca ninguém terá visto tudo), compras uma camisola da lenda Francesco Totti e nem uma vez tens uma sensação de desconfiança das pessoas com quem te cruzas. Pelo meio, um almoço na Prosciutteria Trevi, bem perto da Fonte de mesmo nome. Uma excelente indicação do João Gonçalves que obviamente não desiludiu. Que maravilha...




Uma cidade diferente, uma cidade tremenda, repleta de história, com colinas e uma cor que me é tão familiar... Onde já vi isto ? Em Lisboa, claro.


Retornados a Termini, apanhámos o Shuttle para Ciampino, onde um pontual voo para Lisboa nos esperava.




Foi uma experiência diferente. Napoli é feia, sisuda e repleta de desconfiança. O Vesúvio ao longe impõe respeito, e para esse lado sim tenho vontade de conhecer melhor. O melhor da viagem ? A experiência enriquecedora e o regresso a Roma que é sempre maravilhosa e que me aguça a vontade de lá voltar.


De resto já só pensamos em Kyev.

BENFICA I WILL FOLLOW!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Juventus - Benfica: Lição de tudo!



Depois de na época anterior o Benfica ter sido finalista vencido da Liga Europa, estávamos novamente nas meias finais da competição. O adversário era a Juventus, o mais dificil que poderia haver. A Juventus seria tambem o detentor do estádio onde se diputaria a final, e era o clube do coração de Platini, o presidente da UEFA. Tudo dificuldades portanto. Mas mais uma vez o Benfica mostraria a fibra de que é feito e sempre o acompanhou ao longo da sua Gloriosa História.
Depois de uma primeira mão onde, uma vitória à tangente por 2-1 deixava esperançosos os adeptos, e num jogo em que uma frase a honrar o Grande Torino, apesar de contestada internamente, teve um tremendo impacto em Portugal, Itália e em toda a Europa, a ida a Turin prometia.

Com tudo organizado, partimos dia 30 de Abril de 2014 rumo a Marselha. Chegados a Marselha
levantámos os nossos dois carros e seguimos via Côte d’Azur. Após uma breve paragem entre Cannes e Nice, e uma passagem junto ao novo Allianz Riviera, chegámos a Monte Carlo para ver o por do sol. E não só…
No fim de semana que se seguia, teria lugar o Grande Prémio de Monte Carlo, o que fez com que toda a pista tivesse já montada, sem qualquer impedimento ao trânsito. A sensação foi fabulosa, foi reviver inúmeros domingos à tarde, mas desta vez ao volante! Fantástico! Primeira imagem a ficar para sempre!




Após esta incrível sensação foi tempo de arrepiarmos caminho pois ainda tínhamos muita estrada para percorrer até chegarmos a Turin.
A chegada deu-se já noite dentro, mas a tempo de deixar as coisas no hotel (o qual estava lotado) e ainda ir dar uma volta pela cidade para tomar um copo enquanto alguns ficavam a dormir. Ficou combinado acordar cedo, tomar o pequeno almoço e seguir para Superga onde prestaríamos a nossa homenagem.



Assim foi, e logo pela manhã fomos a Superga. A partir deste momento, todo e qualquer adjectivo a definir o quão fantástico foi o que sentimos não será exagerado. Este dia, 1 de Maio de 2014, será sempre um dos mais memoráveis da minha vida, porque resume em menos de 24 horas tudo o que aprendi e sonhei que fosse o futebol ao longo da minha vida.
Chegados ao parque de estacionamento junto à Basílica, parámos os carros e saímos. Aproveitando o feriado, havia uma tremenda peregrinação a Superga. Inúmeros adeptos do Toro abordaram-nos assim que percebiam que éramos do Benfica e repetiam constantemente uma palavra: “Obrigado”. Ainda em frente à Basílica pediram-nos para tirar algumas fotos connosco. 
Dirigimo-nos então à parte de trás da Basílica, onde se encontra o memorial. Lá chegados prestámos a nossa homenagem e vi das imagens mais marcantes de que me recordo em muitas viagens atrás do Benfica: um Senhor, já com uma certa idade, além de entregar a um de nós o seu cachecol do Toro, cumprimentou-nos com uma tremenda vénia que a mim me deixou totalmente sem palavras. Para se ter uma noção, o momento em questão traz-me à cabeça o cumprimento de Cesare Maldini a Mário Esteves Coluna. É com essa reverência que o Benfica é tratado em Turin, pelos adeptos do clube que perdeu a sua melhor equipa da história quando veio homenagear Francisco Ferreira.


Voltámos posteriormente para os carros e encaminhámo-nos para o bar Sweet, a casa dos Ultras Granata em frente ao Estádio Filadefia. Lá chegados, oferecemos um quadro com a foto da frase mostrada na Luz, no jogo da primeira mão. Os mesmos mostravam-se entusiasmados com a hipótese do Benfica eliminar o seu maior rival. De seguida, após nos mostrarem as suas instalações, abriram-nos as portas do Estádio Filadelfia onde ainda tirámos umas quantas fotos antes de seguiremos para o almoço. Um almoço animado, com alguns deles, onde se ouviam cânticos pró-Benfica, anti-juve e pró Toro, o qual acabou bem regado com copos de Amaro para começar a afinar as gargantas. 



Após o regado almoço, seguimos para a principal avenida da cidade onde passámos a tarde num pub repleto de adeptos do Toro que festejava a passagem de qualquer pessoa do Benfica. Ao lado deste pub encontrava-se uma interessante livraria, que infelizmente estava fechada por ser feriado.
No Pub, e na avenida, continuava a festa e o optimismo ia crescendo ao longo da tarde. Moment
os de tensão, apenas um, quando passou um carro com adereços da Juventus, momento esse que levou à intervenção da Digos. Após esse momento, o bom ambiente continuou e a meio da tarde iniciamos o nosso cortejo ao longo da avenida, rumo ao Meeting Point onde os autocarros municipais nos levariam para o Juventus Stadium. Junto aos autocarros, mais um incidente que não impediu, no entanto, ninguém de seguir rumo ao Estadio.

Chegados à envolvente, após atravessar uma cidade que gritava e gesticulava incentivando o Sport Lisboa e Benfica, qualquer pessoa concluía: os Granata não queriam só que a Juventus perdesse. Eles queriam também que o Benfica ganhasse. Pode parecer a mesma coisa, mas não é…
Após uma breve incursão às roulottes em frente ao estádio, encontrei o responsável pelo Museu do
Grande Torino. Uma bela conversa ajudou a disfarçar a ansiedade que sentia. Já só queria entrar. Já só queria ganhar…

Ainda antes de se iniciar o aquecimento da equipa entrei. Entrei no estádio, soube o onze e senti que íamos passar. E passámos! Um heróico 0-0 a acabar o jogo com 9 mas que me fez sofrer como poucas vezes na vida, tendo inclusivamente saído das bancadas durante uns minutos tal era o meu nível de ansiedade. Após o final ? Bem, assim que foi o apito final, com defesas fantásticas, cortes maravilhosos, arbitragem medíocre e festival a adeptos gobbos depois, desatei a chorar. A chorar muito! Um tremendo choro de felicidade de ter acompanhado toda a campanha europeia nessa época e saber que ia terminar na final, no sítio onde só chegam os melhores! E nós estávamos lá! Comecei desde logo a pensar em marcar a viagem, mas problemas com o cartão não mo permitiram, mas acreditei que conseguiria ainda tratar disso em Lisboa, o que felizmente veio a confirmar-se!


Após o final do jogo e da tremenda festa ainda no estádio, dirigimo-nos aos mesmos autocarros que nos levaram ao meeting point, donde caminhámos para os carros já debaixo dum diluvio. Não havia dúvidas, também São Pedro já chorava de alegria! 
Dirigimo-nos para o Sweet, onde fomos recebidos em autêntica festa e onde convivemos um pouco, com promessa de regresso daí a 15 dias, antes de regressar ao hotel onde adormecer ao som de L’Italiano do Toto Cutugno será sempre algo que recordarei.
Na manhã seguinte, à descida para o pequeno almoço percebemos que o hotel estava cheio de adeptos eliminados na véspera. Na nossa viagem de elevador, o Y. encarregou-se de cumprimentar um com pompa e circustância, enquanto no restaurante encontrámos mais uns quantos. Todos com cara de maus amigos. Eles não estavam à espera, de todo, do que aconteceu. A festa estava preparada, tudo queria que a Juve chegasse à final mas não aconteceu. O Grande Benfica não deixou. O desespero chegou ao ponto de no túnel do balneário terem ficado histórias por contar 
Tomado que estava o pequeno almoço era hora de nos fazermos novamente à estrada. Um caminho diferente, com um túnel extremamente caro, levou-nos até ao aeroporto de Marselha, mas desta vez por Grenoble, onde ainda passámos junto ao Stade des Alpes, e com chuva constante. 



Chegámos a Marselha, onde embarcámos rumo a Lisboa. Estávamos felizes. Estávamos muito felizes.

E eu tinha ido ao paraíso vivendo um dia que nunca terei palavras para descrever, nem com tão longa crónica como esta. Falo carinhosamente deste dia como a nossa final. E que a ganhámos.

O Benfica é isto. O Benfica será sempre isto!



1904