segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Istanbul: Antes e depois



Outubro de 2015. A situação na Turquia já não é a mais estável, e o Benfica vai lá jogar. Dúvidas em ir ao jogo nunca houve, e os principais problemas têm sido na capital, Ankara. Em Istanbul, cidade que chamo sempre de Constantinopla (e assim o farei ao longo deste texto), os problemas parecem localizados perto da Praça Taksim, um local longe de onde vamos ficar.

O ponto de partida é dado na Luz. Em frente ao pilar onde José Águas segura a Taça dos Clubes Campeões Europeus com um sorriso que não é o dele apenas, mas o de todos os Benfiquistas de hoje e de sempre. Daí seguimos para o aeroporto, onde se juntou o PT e pouco depois levantámos voo rumo a Munique, onde faríamos escala.

Munique é o aeroporto europeu onde mais gosto de fazer escalas, caso sejam superiores ao tempo de ir de uma porta de embarque a outra. A praça central é fantástica com bom ambiente, boa cerveja e boas batatas. Assim foi e assim que aterrámos dirigimo-nos para a Praça em questão, para uma roulotte em forma de avioneta, que já conhecíamos doutras tours, mais precisamente. Após uma bela caneca de cerveja, voltámos a entrar no hall das partidas, e passado o controle de documentação dirigimo-nos a uma papelaria onde acabei por adquirir duas belas revistas.

Partimos então pouco depois para Constantinopla, onde aterrados já de noite, nos esperava o transfer. Este funcionava com uma logística interessante que acarretava 3 pessoas: uma ostentava a placa com o nome, e à qual nos dirigimos. Após nos identificarmos, outra pessoa encaminhava-nos para a carrinha, onde outra pessoa nos aguardava para nos levar até ao hotel. E assim se criam postos de trabalho.

Chegados ao hotel, situado em Sultanahmet com vista para a Mesquita Azul e para a Hagia Sophia. Melhor localização era impossível. Após fazer o check-in, dirigimo-nos para um bar que ficava a poucos metros do hotel e onde nos aguardavam alguns companheiros de luta, oriundos de outros países. O andamento já era grande, com muita cerveja e shisha, mas depressa apanhámos o ritmo. Até a Ser Benfiquista tocou naquele beco de Sultanahmet.

Saídos do bar já de madrugada, fomos até à Praça Sultanahmet tirar uma foto de grupo, para depois recolhermos ao hotel porque o dia seguinte prometia e envolvia não dormir antes do regresso a Lisboa.


Assim que foi fisicamente possível, levantámo-nos (reparem como se diferencia o acordar do levantar. Acordar em Istanbul é muito fácil, tal a quantidade de chamamentos para as Mesquitas) e tomado o pequeno almoço fomos visitar a Cisterna Basílica, a cisterna mais antiga que ainda resiste no subsolo da cidade. Saídos da cisterna, e após decidirmos não visitar a Hagia Sophia, não só pelo preço sobretudo (no meu caso) pelas filas que nos fariam perder muito tempo na visita à cidade, fomos até à Mesquita Azul, a maior do mundo fora de Meca. Da Hagia Sophia até à Mesquita Azul não dista mais de uma enorme e bela Praça com dois Obeliscos e um Coreto, onde outrora se situava o hipódromo de Constantinopla. 

Cisterna Basílica

Praça Sultanahmet

Chegados à entrada para o complexo da Mesquita, dirigimo-nos para o lado direito, onde se situava a entrada dos visitantes, e uma pequena fila de não mais de 5 minutos estava à nossa espera. À entrada descalçamo-nos, e assim que entrámos foi impossível não ficar esmagado com a grandiosidade da Mesquita. Estupenda! Brutal! Indescritível! Era de facto um local soberbo que correspondia a todas as descrições que me haviam dado anteriormente.


 

Muitas fotos depois saímos para os jardins da Praça, onde as fotos continuaram, e daí seguimos em direção a Norte, Era a altura de ir para o Grande Bazar. Pelo meio apenas uma pequena paragem para levantar dinheiro (sim, acreditem que é relevante).

Entrada GrandeBazar

Após uma caminhada de sensivelmente mil metros, chegámos então ao Grande Bazar. Um mundo de lojas onde se encontra de tudo e onde falam de tudo. Entre a nossa malta, comprámos ténis, cachecóis e casacos, perante vendedores que falam todas as línguas possíveis e imaginárias, e com os quais compensa, e bem, regatear o preço. Da parte mais a baixa do Bazar, continuámos a descer em direção ao Bósforo, passando pelo Mercado de Especiarias, onde o JP achava que tinha tido um desconto amigo, até andar mais uns metros e ver algo igual à sua compra que ia ficando cada vez mais barato. Acontece a todos...

Chegámos então junto à ponte de Galata onde decorriam algumas manifestações políticas, da qual nos aproveitámos para nos apropriarmos de algumas bandeiras da Turquia, tirarmos algumas fotos junto ao Bósforo e, finalmente, almoçar. O almoço decorreu tranquilamente, embora tardio, e após o mesmo fomos deixar os pertences ao hotel, buscar o material e os bilhetes e eis que alguém se lembrou que podíamos seguir a pé até ao Meeting Point de adeptos do Benfica porque, e passo a citar, "é já ali à frente!". Quem nos disse isso era a pessoa que melhor conhecia a cidade e por isso  acreditámos!

O meeting point estava marcado para uma praça em frente ao estádio do Besiktas, que se encontrava então em remodelação, onde nos aguardariam uns autocarros para nos levar até ao estádio. E para lá chegar, tivemos de fazer uma caminhada de 6 km (É já ali...), não sem abdicar de paragens para uma bela foto à Benfica após a travessia da Ponte de Galata.

Benfica pelo mundo
Chegados em frente ao Estádio do Besiktas ainda muito cedo, nada se passava. Havia apenas um café, com esplanada, o qual não tinha licença para vender bebidas alcoólicas. Ficámos então a chá e café, enquanto não se dava o tiro de partida rumo ao Turk Telekom Arena, o qual sucedeu já ao final da tarde.

Foram pouco mais de 13km de autocarro até ao lado Norte da cidade, no meio dum trânsito absolutamente infernal, mas com a polícia turca a abrir caminho, fazendo um trabalho extremamente eficiente, e deixando os autocarros numa zona própria e impenetrável já com acesso directo à porta da bancada. Outros dos nossos seguiam de metro, tendo tido viagem igualmente tranquila.

A entrada de material decorreu da melhor forma, e à chegada ao cimo do estádio, onde se situava o nosso sector, ficou a imagem dum estádio grandioso que infelizmente não encheu não nos permitindo ter a noção do que é o verdadeiro ambiente turco. O Benfica entrou a ganhar, literalmente, no jogo com uma obra de Nico Gaitán, mas viria a perder o jogo por 2-1, sem no entanto hipotecar as hipóteses de apuramento como se viria a ver mais à frente. Após o final do jogo, os mesmo autocarros levaram-nos até ao Estádio do Besiktas onde nos aguardava uma autêntica coluna de táxis para nos levar. Obviamente ninguem queria ir de taxi pois havia um tramway que nos levava até à porta do hotel, e fomos todos até à estação que se encontrava 100 metros mais à frente. Lá chegados, o serviço de tramway já tinha encerrado, e tendo noção disso, a coluna de táxis também foi até à estação onde acabaram por ver-lhes sair a sorte grande, tal a quantidade de malta a apanhar táxi ali.



Fomos então até ao hotel deixar o material para depois irmos jantar. Aí chegou o dilema, estava tudo fechado exceto o MacDonalds. No Mac não tinham comida para todos (sim, isto foi-nos dito num MacDonalds...) o que nos obrigou a ir procurar um restaurante aberto e que fechasse tarde para podermos estar ocupados até às 2 da manhã, hora a que o nosso transfer nos viria buscar para levar ao aeroporto. Assim dito achámos um restaurante impecável nas redondezas e onde comemos impecavelmente. Findo o jantar chegou mais uma surpresa... Quando ia a pagar reparei que não tinha o meu cartão MB. Tinha ficado na máquina onde tinha levantado dinheiro pela manhã, era a única hipótese. Foi então tempo de ligar para Portugal e resolver a situação o que se conseguiu em tempo útil: cartão cancelado. Jantar pago e regressámos então ao hotel onde já nos aguardava o Transfer. Um louco turco que a cada vez que olhava para nós e percebendo ao que tínhamos vindo, apenas dizia "Galatasaraaaaaay". 

Chegados ao aeroporto e enquanto o embarque não ocorria, eu confesso-vos que aterrei. As imagens não mentem... E não fui o único!


Embarcámos depois rumo a Frankfurt, onde conhecemos a equipa sub 19 feminina da Suécia, que assim que soube que éramos do Benfica reagiu com um rápido: "Lindelof". Pouco depois embarcámos e rumámos a Portugal. Estava feita mais uma Tour. E tinha valido muito a pena! Tanto que a vontade de voltar a Constantinopla era enorme!


Novembro 2016. O Benfica volta a Constantinopla. Desde a última visita, 13 meses antes, já houve inúmeros atentados na cidade, um deles pouco tempo depois da nossa ida, junto aos obeliscos. Já houve inclusive uma tentativa falhada de golpe de estado, já depois de termos marcado viagem. O medo não vencerá. Nunca poderá vencer. Por isso vamos a uma das mais fabulosas cidades que já vi, novamente, e com mais tempo para visitar. Pensava eu...

Atentado na Praça Sultanahmet em Janeiro 2016

Assim que foi o sorteio, resolvi que ia regressar à Cidade de Constantin. Apesar de toda a turbulência existente, valia a pena lá voltar, e as coisas até estavam mais baratas. Para mais, era possível ir de madrugada, chegando lá ao fim da tarde, e só regressar 48 horas depois o que nos dava um hiato temporal para visitar muito mais coisas. Estava decidido! 

E assim foi que na madrugada de 22 de novembro nos juntámos, pelas 4 da manhã, no aeroporto da Portela. Vinha aí mais uma viagem que a greve da Lufthansa não tinha afetado. Felizmente!

Da viagem até território turco, desta vez, pouco havia a destacar e lá chegados fomos diretos ao mesmo hotel, com transfer novamente, onde fomos efusivamente saudados pelo rececionista que se recordava de nós. Após nos instalarmos, saímos para jantar, tendo ido a um local que não conhecia, para sul da Praça Sultanahmet, numa rua extremamente turística, tendo optado por pratos tipicamente turcos. Não saímos defraudados, nem com o preço nem com a comida. Tudo impecável, e com a possibilidade de apenas atravessar a estrada, após a refeição, para vermos os jogos da Champions que decorriam nessa noite, e a poder consumir álcool; e assim começou o consumo de cerveja, shisha e, obviamente, de Raki, enquanto o nosso rival era eliminado da Champions. Como referi, o restaurante encontrava-se numa zona turística. No entanto as ruas estavam às moscas. Dizia-nos o senhor do restaurante que tem sido assim nos últimos meses. Desde que os atentados começaram em Constantinopla que o turismo em massa desapareceu e as zonas turísticas apenas contam com os locais para subsistir. A situação começa efetivamente a ficar complicada. Após o jantar e os jogos de Champions, acabámos por recolher ao hotel, vencidos pelo cansaço. No dia seguinte, a jornada seria longa.



Logo pela manhã, e com o sol a brilhar, subimos para o pequeno almoço e saímos logo de seguida. Do bar do hotel ficava uma imagem marcante: a Praça Sultanahmet estava vazia em comparação com ano anterior. O turismo em massa era, de facto, inexistente. A Hagia Sophia não tinha qualquer fila. Esta cidade fabulosa não merece o fardo pelo qual está a passar. Não merece mesmo. 


Sendo eu o único interessado em ir à Hagia Sophia, acabámos por não visitar o complexo para pena minha, e descemos então diretamente para a Ponte Galata. Aí já tinha algo em mente: ir fazer um cruzeiro de duas horas no Bósforo. Diz quem sabe que valia a pena...


Lá chegados, ainda tivemos de esperar perto de uma hora pela partida, mas uma coisa é certa: valeu a pena a espera. A viagem fez-se ao longo de duas horas, vistas fantásticas da cidade desde o mar, o lado europeu, o lado asiático, o Vodafone Arena, que iriamos visitar mais tarde, e a eterna Mayden's Tower ali tão perto. Foram imagens que ficaram mesmo gravadas na minha memória a ponto de, quando voltar à cidade (e voltarei, certamente) farei o cruzeiro não de 2, mas de 4 horas que vai até ao Mar Negro.

Ao longe o Vodafone Arena 




Constantinopla - Lado asiático

Maiden's Tower

Findo o Cruzeiro, e aproximando-se a hora de almoço, íamos então até ao hotel ter com os nossos para comer qualquer coisa e depois visitar mais algumas coisas. Para a manhã do dia seguinte tinha deixado a ida ao Grande Bazar e ao verdadeiro Banho Turco. Estava então no caminho para o hotel, perto do Mercado de Especiarias quando recebo a mensagem bomba enviada pela Lufthansa: os meus voos de regresso tinham sido cancelados devido à greve. Paralisei e em passo alargado regressei ao hotel. O stress era enorme, e toda a programação para o resto da estadia estava estragada. No hotel entrei em contacto com a família e com amigos dados a estas coisas, os quais me tranquilizaram. Passado uma hora dizem-me que apesar da ida em vão ao aeroporto da Portela (pois o problema tinha de ser resolvido em Istanbul), que vou poder voltar num voo direto, da Turkish mas que o mesmo partiria de manhã (Lá se ia o grande bazar e o banho turco) e para ir almoçar.


Assim fomos, para um restaurante perto e com cerveja. Após o almoço fomos então ao grande bazar. Polos Fred Perry, ténis New Balance. Foi este o saldo (não o meu) do nosso pessoal. Um clássico das idas a Constantinopla. Entretanto ia consultando o mail constantemente, e já no regresso ao hotel, recebi os etickets para o regresso no dia seguinte. Aqui sim respirei de alívio. Mas não por muito tempo...

Aproximava-se a hora do jogo, e novamente a ansiedade voltava a subir, agora pelos bons motivos. Distribuídos os bilhetes e o material para levarmos para o estádio, fomos à procura dum táxi para nos levar à Praça Taksim. Erro crasso. Não tendo chamado o táxi do hotel acabamos por ser vítimas do condutor que acabou por amealhar uma maquia que nem nos seus melhores dias sonharia. Mas é com os erros que aprendemos. Chegados à Praça Taskim, situada a 500 metros do estádio, encontrámos os mesmos autocarros amarelos da época anterior, para levarem os adeptos para o estádio. No entanto, face ao número reduzido, as autoridades optaram por nos conduzir a pé num trajeto que decorreu com a maior das tranquilidades.


À entrada do estádio os primeiros problemas: moedas não podiam entrar, enormes reticências relativamente ao material e discussão acesa entre os adeptos portugueses e as autoridades turcas que não falavam inglês. A questão do material acabou por se resolver, a das moedas não.

Acedi então à bancada. O estádio, novo, dava pica. À medida que se ia compondo de público, o ambiente ia animando. O jogo começa com um minuto de silêncio dos locais para marcarem a diferença, momento aproveitado por todos nós para deixarmos a nossa marca. No fim desses 60 segundos, um barulho que até hoje ficou na minha cabeça. Que inferno. Que ambiente brutal. Quem o viu, ouviu e sentiu não vai esquecer nunca. Mas o Benfica entrou bem e ao intervalo ia vencendo por 0-3, o que baixou em muito o apoio que vinha das bancadas. Apesar do fervor e do fanatismo, lá como cá, nas horas más eles também vão abaixo. Mas a última meia hora a equipa turca regressou das cinzas e com ela o inferno do Vodafone Arena, com o empate conseguido em cima da hora. Em vão porque acabaram por ser eliminados na última jornada...


 


No final do jogo, apenas após alguns minutos, fomos encaminhados para fora do estádio e conduzidos pela polícia para a Praça Taksim. Escoltados por pouco mais de meia dúzia de agentes, e com alguns adeptos do Besiktas na nossa peugada, houve alguns momentos de ansiedade. O transito esse, continuava caótico. Já perto da Praça Taskim enfiámo-nos num Táxi e a primeira pergunta após informarmos o destino, foi perguntar quanto seria a viagem. O taxista de pronto disse que seria o valor do taxímetro. Ótimo!

Chegados ao hotel, fomos então jantar perto do mesmo local onde havíamos almoçado, num restaurante com um empregado muito pouco ortodoxo e onde os gatos tentavam a todo o custo entrar. Após o jantar recolhemos de pronto ao hotel. O regresso ia ser na manhã seguinte e havia que descansar.

Na manhã seguinte, saí do quarto assim que abriu o pequeno almoço e dirigi-me ao grande bazar para comprar um espremedor de romã prometido (recomendo a todos, há poucos sumos melhores...), regressado ao hotel apanhámos o transfer rumo ao aeroporto onde nos aguardava um confortável voo direto, da Turkish, rumo a Lisboa. Aterrado em Lisboa, aconteceu o óbvio: pegar no carro e rumar à Luz. Não há nada como ir a casa e ver amigos. Amigos à séria!



Viva o Benfica!

Janeiro de 2017. Desde que fomos à Turquia já houve o assassinato do embaixador Russo, e um ataque junto ao Vodafone Arena. A foto à esquerda é minha. A foto da direita é do atentado. O local do carro que explode, é o mesmo onde me encontrava quando tirei a foto ao estádio. Voltarei, no entanto, quando possível, a Constantinopla. Se o medo vencer, eles também terão vencido. E tanto este povo, repleto de gente boa, como esta fabulosa cidade, não merecem o fardo por que estão a passar.


 
  

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Dynamo Kyev - Benfica: A surpreendente cidade de Kyi, Shchek, Khoryv e Lybid - Episódio (II)





O dia do jogo voltou a começar cedo. Havia mais uma volta para dar pela cidade que tanto nos tinha surpreendido na véspera!


Pequeno almoço tomado e dois de nós arrancámos novamente a pé. Uma íngreme subida em direcção à Casa das Químeras. A casa das Químeras é um edifício governamental cuja visibilidade está agora reduzida, o que é pena tratando-se de um dos edificios ex libris da cidade, contrapondo com todos os edifícios soviéticos que há na cidade.


Após as fotos possíveis, seguimos em direcção à Praça da Independência, onde já haviamos estado na véspera, pois era a partir daí que tinhamos um itinerário para visitar nesse dia. Após algumas fotos na Praça da Independência, tiradas em frente ao imponente Hotel Ukraine.






Da Praça da Independência, arrancámos rumo ao Monumento a Vladimir. Trata-se de uma estátua imponente, num miradouro junto ao rio, que se encontra algo degradada, pintada de vermelho, seguindo daí para o Mosteiro de St Michael. O Mosteiro de St Michael caracteriza-se por todas as cúpulas douradas. É extremamente imponente devido a isso pois, acreditem, não são apenas duas ou três. São mesmo muitas...



Após umas quantas fotos em frente à entrada principal do Mosteiro, e com outro mosteiro (o de Santa Sophia) à vista, fizemos um pequeno desvio para, pelo meio, irmos ver a Igreja de St Andrews. Numa praça junto a esta Igreja, em obras, encontrava-se um mercado de rua. Mas não era um mercado qualquer... Além dos ímans comprados, e da colectanea de cachecóis de clubes ucranianos que trouxe, havia para venda um tremendo espólio de relíquias do III Reich e da II Guerra Mundial. Mas relíquias originais! Algo que contado ninguém acredita, só mesmo visto. Se na véspera tinhamos estado num museu, ali estávamos literalmente noutro.

Após mais de meia hora a vermos todas a bancas da pequena feira, lá seguimos em direcçao ao Mosteiro de Santa Sophia. Também conhecido, mas não tanto como o Lavra, lá tirámos mais umas fotos antes de seguirmos em direcção à Golden Gate. A Golden Gate é a única porta que sobra da muralha da cidade. Não está no entanto intacta, e já foi submetida a obras de recuperação, o que levaram a algumas alterações em relação à original. É possível entrar na porta e subir à mesma, algo que não fizemos pois, a hora permitia que ainda fossemos ver a Opera, e assistir à segunda parte do Benfica na Uefa Youth League.




Golden Gate
Ópera

À chegada ao Estádio Valeriy Lobanovskiy, o Benfica perdia por 1-0. Na  segunda parte ainda houve um golo para cada lado sendo que já perto do final seguimos em direcção ao nosso hotel onde preparámos a ida para o grande jogo.



Dynamo vs SL Benfica - UEFA Youth League 


Assim que as portas abriram, arrancámos rumo ao Estádio em pequenos grupos de 2 ou 3 pessoas. Tudo decorreu tranquilamente e a entrada fez-se bem. No estádio, aí sim tivemos algum frio. Estar parado não ajuda, e à hora do jogo estava 1ºC. O Benfica ganhou 0-2, tendo sido extremamente eficaz e finalmente somou a sua primeira vitória na competição. Foi bom ? Foi óptimo!




Dynamo vs SL Benfica - UEFA Champions League


Após o jogo, esperámos cerca de 15 minutos. Voltámos então para o hotel, dando uma volta maior, como alinhavado antes, para evitar contratempos, e ficámos até às 3 da manhã no bar do hotel à espera do transfer.  Foi nessa altura que descobri que o hotel tinha um bar de strip! De facto em Kyiv vale tudo !



À hora combinada arrancámos então para o aeroporto. Dava-se então o regresso da 23ª viagem ao estrangeiro para ver o Benfica e acabou no sítio do costume. No 3º anel do Estádio da Luz a comer um fantástico Cozido à portuguesa, como se pede às quintas-feiras.



Viva o Benfica!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Dynamo Kyev - Benfica: A surpreendente cidade de Kyi, Shchek, Khoryv e Lybid - Episódio (I)




Desde o sorteio que a expectativa de ir à Ucrânia ficou criada. Por ser um país novo para mim nestas andanças, mas também porque não era um ambiente de passeio puro o que nos dá sempre alguma adrenalina. Quanto à cidade em si, confesso que numa fase inicial não me despoletava particular interesse. E felizmente digo que não poderia estar mais enganado!

A logística da viagem iniciou-se de imediato: desde logo marcámos a ida para segunda e o regresso quinta-feira logo pela manhã para assim termos 2 dias e meio para visitar a cidade e dada a hora do voo de regresso evitávamos pagar a estadia da última noite pois seria despropositado. O visto não era uma preocupação por não ser necessário, e o hotel também não demorou muito a ficar tratado, tal como o transfer, tendo ficado instalado nas traseiras do estádio. O que nos restava fazer era aguardar até 17 de Novembro, dia da partida.

E assim foi, às 3 da manhã de dia 17 de Outubro deu-se o acordar. Tudo estava pronto para levar, foi tomar o pequeno almoço, sair perto das 4 da manhã, apanhar dois companheiros destas lides e seguir para o aeroporto, onde mais pessoal se juntou, para então seguirmos para Munique e daí para Kyev.
O voo para Munique decorreu em modo zombie, e lá chegados surgiu o primeiro contratempo: o voo de Munique para Kyev estava uma hora atrasado o que nos impediu de fazer a primeira coisa que queriamos fazer: visitar o Estádio Olímpico. Íamos chegar depois da hora da última visita e nos restantes dias já não seria possível devido ao jogo. O voo acabou no entanto por correr normalmente, e à chegada o nosso transfer aguardava-nos para uma viagem de 25-30 minutos até ao hotel onde rapidamente nos instalamos, apesar de algumas dificuldades de comunicação, uma constante em países da antiga União Soviética.

À chegada ao quarto confirmámos que as imagens de que o Estádio era mesmo junto ao hotel não eram falsas... Era mesmo como se segue.



Apesar de já passar das 17:00, hora da última visita ao estádio, dirigimo-nos lá na mesma para assim poder fazer um reconhecimento da zona, entender como deveríamos ir para o estádio no dia do jogo, e identificar a nossa porta. Tudo correu a preceito, tendo aproveitado ainda para visitar a loja do clube comprando o habitual cachecol do jogo e visitar o mini-museu do clube cujo acesso é também feito através da loja. O mini-museu é uma sala larga com alguns dos troféus do clube, e 3 personalidades em destaque: Andrej Shevchenko, Oleg Blohkin e o Lobo Valeriy Lobanovskyi. 


Museu Dynamo Kyev
Após sair do Estádio, regressamos ao hotel para deixar as compras e fomos em busca dum restaurante para jantar. Por sugestão minha, que fiquei fã de comida Georgiana, dirigimo-nos ao Mana Manana, nº17 da cidade segundo o Tripadvisor. Lá chegados, estava cheio e avisaram-nos que no próprio dia seria impossível. Fomos então à procura de outro do género, e bem perto encontrámos o Pervak, nº4 na mesma escala. Um Bentley à porta fez-nos temer o pior sobre o preço, mas os receios vieram-se a revelar infundados.
Tratava-se de um restaurante típico, com uma decoração muito própria bem como a indumentária de quem serve às mesas. Tudo impecável! Muita comida, muita bebida, uma barriga completamente cheia e no fim... 14€ de conta. Fantástico!

Pervak

Após o jantar, dirigimo-nos para o Coyote Ugly, o bar da famosa cadeia que ficou conhecida pelo filme, a qual já tínhamos visitado em São Petersburgo. A habitual garrafa de vodka a preço convidativo e não demasiado tarde acabei por recolher ao hotel. Os planos para o dia seguinte requeriam muita caminhada e o descanso seria fulcral.

Coyote Ugly

Praça da Independência
Estádio Valeriy Lobanovskyi
Pela manhã e já com o pequeno almoço tomado, arrancámos a caminhada rumo à Praça da Independência. Seguimos apenas 3, pois a noite da véspera havia feito 3 baixas: 2 continuavam a dormir, enquanto a terceira revelava um baixo teor de açúcar no sangue. Ao fim de meia hora a caminhar, chegámos à monumental praça, que tínhamos na memória devido aos confrontos de 2014. Agora, toda arranjada, é belíssima e imponente! Daí seguímos para o Estádio Dynamo Kyev, agora chamado Valeriy Lobanovskyi. Não foi possível entrar mas aproveitámos para tirar fotos à estátua do Lobo, bem como ao portal de entrada, no qual também ocorreram incidentes gravíssimos, com alguns mortos nos acontecimentos de 2014. A vantagem de Kyev é que é fácil fazer um itinerário e sectorizar as áreas a visitar. Assim sendo, logo ali ao lado dirigimo-nos ao grande arco da amizade. Este arco, num largo com vista para o rio Dnepr, simboliza a amizade entre Russos e Ucranianos. Por baixo do mesmo encontram-se duas estátuas gigantes: uma com dois soldados (um Russo e um Ucraniano e a simbolizar a amizade entre países), e outra a simbolizar um convénio da idade média. Vim a saber à posteriori que o está decidido que o arco será em breve removido pois com é sabido a amizade já não é o que era. 

Grande Arco da Amizade


Após ver a bela vista do miradouro, fomos pela estrada mais próxima do rio em direcção à zona mais a sul da cidade, passando pelo Palácio Mariinsky, ao lado do qual se encontrava um forte contingente militar e em direcção ao Mosteiro do Lavra, um dos grandes ex-libris da cidade, e à porta do qual nos encontraríamos com os dois dorminhocos da manhã. Pelo caminho ainda passámos pelo Monumento do Soldado Desconhecido, e o Memorial do Genocidio Ucraniano Holodomor. Locais simples e impactantes.

Memorial do Soldado Desconhecido
Memorial do Genocídio Holodomor

Mosteiro do Lavra



Chegámos então ao famoso Lavra. As igrejas sucedem-se dentro do Mosteiro, mas a curiosidade era para as famosas grutas. Fomos a uma, no canto oposto do mosteiro e foi algo de muito pouco ortodoxo para nós. Caminhos estreito, altares pelo caminho, no meio da escuridão. Para claustrofóbicos não é recomendado. Apesar de ser o Ex Libris da cidade (dizem...), não foi nem de perto o local que mais gostei. E saídos do Mosteiro, descemos mais um pouco para sul em direcçao à imponente estátua da Motherland, a qual se encontra no museu a céu aberto da grande guerra, onde diversos veículos bélicos são visiveis, bem como diversas esculturas enormes e fantásticas. Por baixo da estátua, aquele que foi para mim o ex libris da cidade: quase a custo zero (mas mesmo quase, nada a ver com o habitualmente assim referido no futebol) encontra-se o museu da grande guerra. Um museu com um espólio fantástico onde nos demorámos um tempo considerável e onde demos por bem gasto o nosso tempo, nem nos lembrando que ao final da tarde ainda nem sequer tínhamos almoçado.




Museu da Grande Guerra


Após a visita ao Museu, seguimos no caminho de regresso para o hotel, tendo apanhado o Metro, e saído no centro comercial perto do hotel, onde comemos qualquer coisa antes de ir descansar um pouco para o hotel. Entretanto chegou mais pessoal nosso, pelo qual esperámos para o jantar. O jantar, esse, seria na outra ponta da cidade enquanto viamos os jogos da Champions: o restaurante nº1 do Tripadvisor, de seu nome Happy Grill. A comida ? Um naco gigante de carne, absolutamente delicioso. O preço final? 21 €. Kyev é assim...

Happy Grill
Já perto da meia-noite, regressámos de metro ao hotel, aproveitando para descansar. Eu ia novamente ter um dia movimentado e em dia de bola há que estar fresquinho.

O dia de jogo, esse, fica para o próximo episódio.

MotherLand