quarta-feira, 2 de maio de 2018

Carta aberta ao Senhor Voleibol do Benfica - Professor José Jardim.

Olá Prof,

Não sei se esta carta alguma vez lhe vai chegar, mas aqui fica...

Certamente só me conhece de vista, quiçá dos Pavilhões da Luz, que sempre ocuparam muito do meu tempo livre em Lisboa, quiçá das férias em São Martinho do Porto.
A primeira vez que me lembro de si, foi por 2 anos seguidos ter vencido a equipa da minha irmã no torneio misto de voleibol de praia nas férias... Na altura lá me disseram que era o treinador nas camadas jovens do melhor jogador da equipa da minha irmã.
Mal sabia eu o quanto o ia admirar...

Foi em plena década de 90 que o Benfica encerrou a sua formação sénior de voleibol... O prof era jogador. Era o Capitão! E tinha conquistado o último título de Campeão numa negra na Nave de Alvalade. E levantado a Taça de Portugal em 1992. E pouco tempo depois acabou. Simplesmente.
Estamos a falar duma modalidade esquecida, que jogava no Pavilhão 2, num cantinho. Tão esquecida que às vezes ocorriam outros jogos em simultaneo, a ocupar os outros 2/3 do Pavilhão...



Muitos saíram, normal. O Prof ficou. E nas camadas jovens foi trilhando o seu caminho, e os jovens foram crescendo e chegámos aos séniores. E voltámos a ter equipa sénior. E ganhámos a 3ª divisão há apenas 20 anos atrás. E subimos pouco depois à primeira... E em na primeira metade da década passada voltámos aos títulos, com uma equipa quase invencível e cheia de talento. Mas também é preciso saber detectar o talento. 
Depois veio o desinvestimento, mas continuou o Prof. E mais uma vez reconstruiu uma equipa. Uma senhora equipa que dominou o voleibol em Portugal esta década. Tirou-me muitas vezes do sério com algumas opções é verdade, e percebe infinitamente mais de voleibol do que eu, mas os adeptos são assim. Continuo a achar que podia ter uma história ainda mais bonita ? Continuo. Mas faz parte...

Se hoje há voleibol no Benfica, o prof é o rosto dele. E que nunca ninguém se esqueça disso... A única coisa que espero é que nunca saia do Benfica, porque é certo que o Benfica nunca sairá de si. Prof José Jardim é sinónimo de Voleibol Benfica. Era ontem. É hoje. E será amanhã...


Mais do que lamentar os momentos, lamento a final de ontem. Não fomos a melhor equipa da fase regular, mas fomos a melhor equipa da final. Mostrámos que somos Equipa, que somos Benfica. E sim, mereciamos ser Campeões, e o Prof merecia a cereja no topo do bolo com a que seria talvez a mais épica das vitórias. Quis a sorte, e algo mais que assim não fosse. 


Por tudo isso... Olhe, obrigado Prof! Será sempre a sua casa e o seu pavilhão. E que o assombroso ambiente do Benfica - Novi Sad de 2015 perdure para sempre na sua memória.

"Quero passar aos adeptos do Benfica aquilo que os jogadores me passaram. Temos muita pena de não lhes oferecer este título. Fica um grande orgulho nos 25 títulos conquistados. Não me esqueço de como esta equipa voltou. Começámos por baixo, com títulos de juvenis e juniores. Mas, mais importante, é que, quando perdemos, perdemos assim. As finais perdidas do Benfica foram todas assim. Quer dizer que lutámos sempre até ao último ponto"



domingo, 18 de março de 2018

O Benfica é uma LENDA

Quem me segue nas redes sociais, sabe que em dia de jogo do Benfica é sagrado: faço sempre um post a citar Laurent Moisset, igual ao texto que se segue:

"O Benfica é eterno. Eles não conhecem fenómenos de erosão que possam fazer perigar as suas fundações mais seguras. Eles sabem sempre renovar a sua imagem. O Benfica é uma lenda"
Laurent Moisset, in France Football
12/11/1991

Pois bem, o post de hoje não é para dizer que Laurent Moisset tinha razão, pois houve de facto, três anos após o mesmo ter escrito isto, um fenómeno que, na altura, nos veio a fazer pensar que as nossas fundações mais seguras estavam em perigo. Felizmente soubemos, tal como disse o jornalista francês, renovar a nossa imagem e mostrar que o Benfica é uma lenda, voltando à alegria desportiva, a engrandecer ainda mais o palmarés, e chegar aos tempos recentes em que temos vivido tempos felizes.

O texto, que sempre vi como uma das melhores referências ao clube de todos nós, feito por uma pessoa externa ao clube, sempre foi visto quase como um mito. Mas não, ele existe mesmo, e a prova chegou hoje às minhas mãos.
Eis a edição  de 12 de Novembro de 1991 da France Football, onde o texto está incluído, numa peça alusiva à mítica exibição do Benfica em Highbury Park.






Pois é, minha gente. O Benfica é mesmo uma lenda...

Rumo ao PENTA!

sábado, 18 de novembro de 2017

VÍCio de viajar



Dezembro de 2004. O Benfica desloca-se a VIC para disputar uma eliminatória da Taça CERS. Uma carrinha de adeptos do Benfica, elementos dos Diabos Vermelhos, viaja até VIC para apoiar a modalidade de eleição do grupo. No regresso, já não muito longe da fronteira portuguesa, um acidente automóvel ceifa a vida a um desses elementos. O Borsky nunca será esquecido.


Outubro de 2015. O sorteio dita que o Benfica vai a VIC num jogo relativo à fase de grupos da Liga Europeia de Hóquei em Patins. Passam mais de 10 anos da tragédia que nos levou o Borsky e nem penso duas vezes: marco a viagem! É tempo de ir render a devida homenagem, marcando presença no último pavilhão onde ele apoiou o clube de todos nós.

E foi assim que, juntando a homenagem, o Benfica, o hóquei em Patins e a fabulosa cidade de Barcelona, comecei a planear esta viagem. Desde logo alguma malta se mostrou interessada e começaram a organizar uma carrinha que saísse de Lisboa. Eu iria de avião, onde já em Barcelona se juntaria um amigo de Londres, e mais tarde se confirmaria também a presença duma velha amiga destas vidas de Benfica. O jogo era em Janeiro, já sabiamos que não haveria muito calor, mas não fazíamos ideia do frio que faria na serra onde se situa VIC.

Sexta feira, saido do trabalho, apanho a C. e rumamos ao aeroporto. O destino é o mesmo, mas o voo é diferente, sendo eu o primeiro a aterrar.
Quando aterro, a primeira boa notícia: o maior rival, na altura líder do campeonato, acaba de empatar em casa com o Tondela. Augurava-se um bom fim de semana. Entretanto aterra a C, e posteriormente o M. Levantamos o carro e seguimos para Barcelona onde nos instalamos no hostel, perto da Sagrada Familia, e saímos para petiscar qualquer coisa e regressámos para descansar.

Sábado, após o pequeno almoço, uma ida até às ramblas para o habitual passeio pela avenida, e para uma passagem pelo mercado de Barcelona, donde seguimos até Camp Nou onde almoçámos e vimos os preços económicos dos bilhetes para um Barcelona - Athletic. Entretanto, a malta da carrinha começava a dar notícias e combinámos encontrarmo-nos em Montjuic. Assim fizemos e tirámos a primeira foto de grupo no Olímpico. Daí regressámos ao Hostel, onde todos tinham de fazer o check-in, e onde entretanto chegava o pessoal oriundo de Paris (1 carro) e da Suiça (1 pessoa).






Após a chegada de toda a gente. lá nos preparámos para seguir rumo a VIC. Uma viagem de 40 minutos, pela serra e pelo frio até chegarmos à porta do pavilhão ainda bastante cedo. A temperatura é baixíssima e enquanto não se abriam as portas a única solução era ficar nos carros com o aquecimento ligado. Frio e vento, a combinação traumática.

Após saudar os jogadores, pouco depois de entrarmos no pavilhão quando faltavam cerca de 40 minutos para o ínicio do mesmo, decorre o aquecimento, findo o qual o azulejo do pavilhão é regado. Começa o jogo e é uma hecatombe. O Benfica sofre golo atrás de golo, e a poucos segundos do intervalo o Benfica perde por inimagináveis 7-0!!! De Portugal vamos recebendo mensagens a perguntar o que se passa porque ninguém entende. Nem nós, ali na bancada, onde vemos uma equipa apática e sempre a escorregar. Poucos segundos antes da buzina do intervalo, Marc Torra marca o primeiro golo do Benfica.


Após o intervalo, aparece uma equipa diferente e a acreditar sempre, como sempre nos caracterizaram. Desta feita é o Benfica que vai marcando golos atrás de golos e chega à desvantagem mínima (7-6), ficando nós com a sensação que com mais uns minutos ainda sairiamos vencedores.  No final, o agradecimento aos adeptos e a nós era tempo de nos refazermos à estrada, na gelada serra a norte de Barcelona, enquanto começava o Estoril - Benfica em futebol de maneira nada agradável: com um golo do Estoril.


À chegada a Barcelona dirigimo-nos para o restaurante onde nos disseram que poderiamos ver o jogo, mas, lá chegados, estava fechado. Alguns batem retirada e seguem para o hostel, nós os 3 dirigimo-nos para o Mac, onde jantamos e aproveitamos o fraco wireless local para ir vendo alguns frames do jogo e acompanhar a reviravolta do Benfica: Mitroglou e Pizzi metem o Benfica na liderança e o Benfica segura-a até ao fim! A noite estava ganha apesar da derrota no hoquei que não era comprometedora (e tanto não foi que nos sagrámos campeões europeus nessa época). Após o jantar, uma ida até um pub junto à Sagrada Família seguindo-se o devido descanso.

Domingo, a despedida do pessoal que tinha longas viagens de carro pela frente e desejos de boa viagem. Aproveitámos para ir até ao Arc del Triomph, um passeio pela marginal de Barcelona, seguindo-se a ida para o aeroporto, com a respetiva entrega do carro e o regresso a Lisboa.
Pouco depois de aterrar, e quando a malta da carrinha entrava em Portugal, o outro candidato ao título perdia o seu jogo na cidade berço. Que maravilha de fim de semana!




Se valeu a pena ? Vale sempre: pelas amizades, pelo Benfica e pela cidade.

E sobretudo, pelo Borsky.



 Em Janeiro há mais...

domingo, 5 de novembro de 2017

Qual a próxima?

Qual a próxima viagem/jogo no estrangeiro para escrever?

São vocês que escolhem!
  1. Lazio 3 - 1 Benfica, 13/08/2003, Done!
  2. Inter 4 - 3 Benfica, 25/03/2004, Done!
  3. Manchester 2 - 1 Benfica, 27/09/2005
  4. Liverpool 0 - 2 Benfica, 08/03/2006, Done!
  5. Barcelona 2 - 0 Benfica, 05/04/2006
  6. Benfica 1 - 2 Chelsea, 15/05/2013
  7. PSG 3 - 0 Benfica, 02/10/2013
  8. Olympiakos 1 - 0 Benfica, 05/11/2013
  9. Anderlecht 2 - 3 Benfica, 27/11/2013
  10. PAOK 0 - 1 Benfica, 20/02/2014, Done!
  11. Tottenham 1 - 3 Benfica, 13/03/2014
  12. AZ Alkmaar 0 - 1 Benfica, 03/04/2014
  13. Juventus 0 - 0 Benfica, 01/05/2014, Done!
  14. Sevilla 0(4) - 0(2) Benfica, 14/05/2014
  15. Monaco 0 - 0 Benfica, 22/10/2014
  16. Zenit 1 - 0 Benfica, 26/11/2014
  17. Atlético Madrid 1 - 2 Benfica, 30/09/2015
  18. Galatasaray 2 - 1 Benfica, 21/10/2015, Done!
  19. Astana 2 -2 Benfica, 25/11/2015, Done!
  20. Vic 7 - 6 Benfica, 16/01/2016
  21. Zenit 1 - 2 Benfica, 09/03/2016
  22. Bayern 1 - 0 Benfica, 05/04/2016
  23. Napoli 4 -2 Benfica, 28/09/2016, Done!
  24. Dinamo Kyev 0 - 2 Benfica, 19/10/2016, Done!
  25. Besiktas 3 - 3 Benfica, 23/11/2016, Done!
  26. Coutras 2 - 4 Benfica, 18/02/2017
  27. Borussia Dortmund 4 - 0 Benfica, 08/03/2017, Done! 
  28. Arsenal 5 - 2 Benfica, 29/07/2017
  29. RB Leipzig 2 - 0 Benfica, 30/07/2017
  30. Basel 5 - 0 Benfica, 27/09/2017, Done!
  31. Man United 2 - 0 Benfica, 31/10/2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

TOP Horribilis



Eu, ingénuo me confesso! Depois de ter crescido no Vietnam Benfiquista achei que certas coisas não aconteciam mais. Pois bem, a noite de ontem vai para o top 5 de humilhações ao vivo que vivi enquanto Benfiquista. O Glorioso Sport Lisboa e Benfica, tetracampeão nacional, foi derrotado por 5-0 pelo quarto classificado do poderosíssimo campeonato suíço. Ainda muitos dos nossos continuavam a entrar num estádio com condições mas numa cidade toda em obras e já os suiços estavam a ganhar.

A aventura começou no dia de sorteio: o facto de trabalhar agora na região Parisiense permitiu-me não perder um único dia de trabalho. Na tarde do jogo seguia de TGV para Basel, e regressava na manhã seguinte (TGV no qual me encontro a escrever este texto).

A chegada a Basel, após uma viagem tranquila, deu-se a 3 horas do jogo. Dirigi-me rapidamente até ao hotel para deixar as coisas, indo de seguida ter com os meus. Via-se Benfica por todo o lado, os dados que indicavam à volta de 10 000 Benfiquistas no estádio não eram infundados. Após algum tempo no centro, apanhar o Tram até ao estádio onde mais uma vez a mancha vermelha era enorme. Indescritível! Entrei no estádio já em pleno período de aquecimento e já o setor visitante estava quase repleto com muitos mais Benfiquistas em todo o estádio, por todo o lado exceto no topo contrário.
O mar de gente vermelho continuava a entrar, inclusive durante o hino da Champions. Começa o jogo, golo do Basel, continua malta do Benfica a entrar. O apoio vai crescendo. Ainda na primeira parte, 2-0 para o Basel. O apoio não quebra. Vem o intervalo, acredita-se na remontada apesar de se jogar ZERO. Apesar de não termos rematado uma única vez à baliza. Apesar de só termos tido uma única oportunidade de golo em que em vez de rematar deixámos cortar para canto e no contra ataque sofremos o segundo golo. Mas era possível remontar. Nós somos o Benfica, o clube das missões impossíveis (entre as quais tentar ser penta com um desinvestimento nunca visto).

Começa a segunda parte, 3-0. 4-0. 5-0.  Pelo meio 3 bolas bateram no poste. Grande parte do setor visitante está revoltado e abandona o estádio. Os do costume lá ficam. Por os do costume refiro-me àqueles a quem o plantel, por indicação de Luisão, virou as costas no Bessa. Esses mesmos! Os que lá estavam ontem, estavam no Bessa, estavam quando nada ganhámos entre 2005 e 2010, estavam quando ficámos em quarto lugar, ou quando ficámos em sexto. Esses mesmos, os que nunca te abandonam, nunca te viram costas. Foi até ao fim, num apoio sublime ao emblema.

Até que chegou o fim do sofrimento. O fim dos 90 minutos. A equipa junta-se e dirige-se ao setor visitante sem nada manifestar. Visto donde estava, mais parecia algo feito do que algo de coração. E só assim se explica o capitão de equipa não se chegar à frente e pedir desculpa. Por mim tinham era tirado todos a camisola. E a visão de “algo feito” ficou confirmada quando a equipa volta para o balneário e um elemento do plantel, perante o protesto daqueles que nunca abandonam o emblema que vestem ao peito se vira para trás e diz: “APOIEM!!! APOIEM!!!”.

O Benfica merece o nosso apoio. Sempre. Vocês, e por vocês refiro-me a todo o grupo de trabalho, merecem que vos exijamos que honrem a camisola. O emblema que trazem ao peito é intemporal e tem a definição de lenda. Só têm que fazer por merecê-lo. Não admito nada que não seja uma vitória na Madeira e o Penta. Sim, nada menos que o PENTA será admitido.

Façam por isso. Façam-se homens. Façam os cortes que tiverem de fazer. Encostem quem tiverem de encostar e mantenham-se vivos até Janeiro para fazer o que deviam ter feito no verão.


ACORDEM!

sábado, 15 de abril de 2017

Conversas à Benfica

O Sérgio Engrácia, amigo de 18/19 anos de bancada da Luz, lançou um canal de Youtube chamado Conversas à Benfica.

Tive o privilégio de ser o segundo convidado. Aqui fica o episódio.




Aproveito para vos sugerir: sigam e partilhem o canal. Vale muito a pena.

Não há mal nenhum na exaltação do Benfiquismo!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Benfica! Muito Benfica em Dortmund




Aviso prévio: esta não é uma crónica como as que habitualmente escrevo. Não terão uma enormidade de fotos, não terão histórias de cidades e em breve perceberão porquê. A que mais se assemelha, será talvez a de Liverpool 2006.

Como alguns sabem, em Dezembro, alturas do sorteio, tinha saído há pouco tempo de Portugal para o  estrangeiro por razões profissionais. Encontrava-me na região de Lyon quando saiu o Muro Amarelo como adversário do Benfica. Há anos que sonhava ir lá, nunca tinha acontecido e agora que não tinha garantias de poder ir, aí estava ele: o Borussia de Dortmund. Fiquei triste confesso. Não era só não saber da disponibilidade profissional para ir. O próprio local onde estaria sediado em Março não estava definido e assim nada dava para organizar. A única certeza com que fiquei, foi que compraria bilhete pois sem bilhete nunca poderia ao jogo. Com bilhete, seria para tentar à última. E mal sabia eu que seria mesmo até à última.

Após a época festiva, passada em Portugal, regressei a França. Desta feita para o lado contrário do país, junto à costa, em Rochefort. Os aeroportos mais próximos daqui são os de Bordéus e de Nantes, ambos a  170km. Fui estudando as várias formas de ir daqui de Rochefort para Dortmund e, no dia 2 de Feveiro, após ter a garantia que continuaria aqui na semana de 8 de Março, marquei viagem de Bordéus para Charleroi, via Ryan Air, com reserva de carro, no qual seguiria para Dortmund. A ideia nesta altura era viajar sozinho, mas a reserva do carro podia sempre ser alterada caso encontrasse alguém com quem seguir viagem. Foi o que acabou por acontecer, pois havia 8 amigos que estariam em Bruxelas, com dificuldade em alugar carro, e ficou combinado que iriam ter a Charleroi, onde eu faria um upgrade para a carrinha de 9 lugares na qual seguiriamos para Dortmund. No regresso, eu dormiria lá num canto de um dos quartos de hotel deles em Bruxelas, seguindo depois para Charleroi e voltar para França. E assim ficou tudo certinho.

O tempo foi passando, a ansiedade e a saudade dos meus foi aumentando. Até que chegou a semana do jogo. A semana mais esperada. Dia 6 de Março cai a bomba. Greve dos controladores aéreos em França com incidência na costa atlântica. Todos os voos da Ryan Air de e para Bordéus estão a ser cancelados. Contacto imediatamente a Ryan Air que a única coisa que me podem dizer  é que só sabem os voos que foram cancelados nesse dia e nada podem garantir.  Na segunda feira às 18:00 francesas saem os voos cancelados de terça feira. De nada servem, pois o meu voo não existia nesse dia. Mas tudo o que é Ryan Air continuava a estar cancelado. Começo a procurar alternativas, porque não era só por mim. Era pelos meus! Estavam dependentes de mim para ir para Dortmund e fosse como fosse eu não os poderia deixar para trás. Eu tinha de ir cumprir o meu sonho e eles iriam comigo.

Terça feira, véspera de jogo, foi passada numa ansiedade tremenda. A Ryan Air não dava notícias, diziam que nada sabiam. Mas às 16:00 veio o primeiro sinal. O voo Easy Jet de Bordéus para Bruxelas, marcado para o dia do jogo, tinha sido cancelado. Resolvi arriscar. Mesmo que não houvesse decisão até lá, quando saísse do trabalho ás 17 iria tratar da minha viagem.
Assim foi. Saí às 17 e fui directo à estação dos comboios de Rochefort. Lá chegado comprei viagem de Surgères para Bruxelas.


Surgères é uma terra a cerca de 30 km daqui, onde apanharia o TGV às 5:51 do dia do jogo e chegaria a Montparnasse às 08:49. Teria então de atravessar Paris (linha 4 do Metro) até à Gare du Nord, onde apanharia outro comboio, o Thalys, rumo a Brusselles-Midi às 10:01, chegando à capital belga às 11:23. Aí teria o meu pessoal, levantaríamos os carros ou carrinha, seguiriamos para Dortmund e voltaríamos após o jogo. O regresso seria feito da mesma forma, no dia a seguir ao jogo, com o primeiro comboio a ser apanhado em Bruxelas às 7:43 da manhã, e chegando a Surgères às 13:14. Era duro ? Era. Mas é o Benfica. E em véspera de jogo a minha presença estava, agora sim, garantida a 100%.


Assim que comprei as viagens, vou ao site da Ryan Air e vejo que foram tornados públicos os voos cancelados de quarta-feira. O meu voo estava efetivamente cancelado por isso a pequena loucura acaba de cometer tinha valido a pena. Volto para casa, trato dos pedidos de reembolso dos voos e anulação do carro previamente alugado no aeroporto, e trato então do aluguer de dois carros na estação de Bruxelas. Tudo tratado em 5 minutos, faço a mala e estou pronto para partir na madrugada seguinte.
Dia de jogo. Acordo às 4:30, banho tomado, pequeno almoço também, e pego no carro. Saio de casa perto das 05:00 e a viagem acaba por ser mais rápida do que o esperado, chegando à gare meia hora antes do comboio, que traz um atraso de 5 minutos, nada de preocupante para as ligações que se seguem. A viagem até Paris corre normalmente, o atraso é recuperado, o único problema é o sono e o facto da carruagem encher em Poitiers, num momento em que estava quase a adormecer, o que daí para a frente se tornou impossível.


Com a chegada a horas a Paris-Montparnasse, desco do comboio para o Metro e vejo que a linha 4, que tinha de apanhar, está fechada em Montparnasse. Informo-me e dizem me para apanhar a linha 6 até Denfert-Rochereau e depois apanhar o RER B até à Gare du Nord.  Apanho então a linha 6 até à estação em questão e aí, e vez de apanhar o RER B, resolvo apanhar o metro na Linha 4 novamente. Um erro, que fez a minha viagem tornar-se mais demorada (mais estações) e fastidiosa. A linha está em obras e o percurso é feito em marcha lenta, mas mais de uma dezena de estações depois lá chego atempadamente à Gare du Nord, tendo tempo de ir ao Starbucks buscar o Frapuccino da praxe antes de embarcar para o Thalys, um comboio com excelentes condições, bem melhor que o TGV onde tinha viajado mesmo antes. À entrada do comboio uma passagem pelo Raio X e detetor de metais, controlo de entrada no comboio e siga para Bruxelas. A viagem de hora e meia fez-se bem, e à hora prevista chegada a Bruxelas e dirijo-me para o hotel, situado a 1 km, onde se encontravam os companheiros de viagem. Acordar alguns preparar tudo e seguimos para a Gare onde fomos levantar os carros já com algum atraso. Eram perto das 13:30 quando finalmente arrancámos, e até sair do caos de Bruxelas à chuva ainda durou um bocado.


Daí até Dortmund foi sempre a rolar na estrada, com apenas uma paragem relâmpago, e muito trânsito a partir de Dusseldorf, o que nos levou a adotar caminhos alternativos, bem mais longos, mas que se tornaram mais rápidos, requerendo apenas um cuidado tremendo com os constantes lençois de água na estrada. À chegada a Dortmund, fomos diretos ao estádio, deixando o carro lá no parque e resolvi ir até ao centro da cidade. Tinha de sentir o ambiente no centro da cidade, mesmo que já não estivesse ao rubro pois faltavam apenas 3 horas para o jogo, mas valeria sempre a pena, até porque grandes amigos se encontravam por lá,


Apanhei o metro e em menos de 10 minutos encontrava-me no centro. Perfeito. Encontrar os amigos foi fácil. Estavam num restaurante inundado de Benfiquismo, saboreavam óptimas Pints. O ambiente estava de sonho. Tinha finalmente chegado ao Ambiente Benfica que eu tanto amo. Que eu vivo intensamente e que me faz sorrir todos os dias. E que muita falta me tem feito nos últimos 3 meses por razões que já falei neste blog. Conversa metida em dia, um saltinho à loja do BVB, encontro com outros colegas destas aventuras e seguir para o estádio.




Mais uma curta viagem de 10 minutos, começar a colar os novos autocolantes iguais ao meu pano que tanto gosto, e a chegada ao estadio. Ali estava ele, já em cenário de dia de jogo. Agora sim eu estava completo. Estava junto ao Estádio, junto ao meu Benfica, e com o meu povo! Com a minha gente! Não poderia estar melhor em mais lado nenhum. Fotos, conversa com mais pessoas, compra de cachecóis, não tendo lamentavelmente arranjado um oficial do jogo, e a malta foi entrando. Acabei por ficar cá fora à espera dum amigo o levou a que entrasse já bem perto do ínicio do jogo, logo após o You’ll Never Walk Alone, que tive oportunidade de ouvir do lado de fora do estádio. Alguma confusão à entrada, à qual me consegui esquivar subida das escadas a correr e lá estava eu a ver as equipas a entrar em campo. No muro amarelo, uma coreografia de sonho que devia fazer corar de inveja os Forlans da Luz desta vida, do nosso lado uma mancha vermelha. Um sector à pinha ansioso por mostrar o que é o Benfica. E nas restantes bancadas (à excepção da SudTribune, obviamente), bem visiveis as manchas encarnadas de Benfiquistas por todo o estádio. Tudo estava pronto. E ao apito inicial já o sector visitante se encontrava ao rubro.



Começámos com tudo, e fomos abalroados aos 4 minutos. Sofremos logo um golo e tal como em Munique há um ano, seguimos na nossa. O que nos move, é o Benfica. O que amamos, é o Benfica. E do apito inicial até poucos minutos antes da saída do estádio, na bancada, só deu Benfica. Não foi nenhuma vitória moral. Perdemos 4-0. Perdemos bem, contra uma equipa que se mostrou largamente superior na eliminatória, mas como diz o João Gonçalves na sua épica crónica no Red Pass, discutimos esta eliminatóra contra o colosso Borussia durante mais de 75% da mesma. E na bancada tratamos da questão dos adeptos alemães nao terem achado o ambiente na Luz nada de especial. Pois bem, o dia 8 de Março foi especial. 11 anos depois de Anfield Road eu voltei a chorar. De alegria por cumprir um sonho, de orgulho pelo que vivi e nunca tinha visto nos meus 19 anos de bancada. De 1998 até hoje nunca vi nada assim. E foi por isso que me doeu a alma de algumas das pessoas que mais mereciam estar ali, viver o que eu estava a viver, não poderem ter ido. Eu acho que já merecia viver um ambiente assim, nao vou ter falsas modéstias. Mas há outros que mereciam tanto ou mais do que eu e não o viveram por razões de força maior. E era por esses que eu tinha de fazer tudo para ir, era por esses que todos de nós tínhamos de dar tudo. Dar tudo pelo Benfica, por nós, e por todos os que davam tudo para lá estar. É esse que tem de ser o mindset. Porque E Pluribus Unum não é só um lema, é um modo de vida.



E assim foi. Foi mágico. Foi sublime. Foi para sempre. E vai connosco para a cova. Os 4-0 ficaram na história? Ficaram. Tal como os 5-0 da década de 60 que os alemães recordaram e homenagearam antes do jogo, o que só engrandece o Benfica. Mas o reconhecimento dos da casa, dentro do campo e fora dele, ao que a maravilhosa massa adepta do Benfica fez, não tem palavras. Ter vivido aquilo muito menos. Ter superado tudo para lá poder ter estado faz de tudo uma odisseia.



No final do jogo deu-se o regresso aos carros e a partida para Bruxelas. Com menos transito, com menos atalhos e sempre a andar, e com os vídeos do estádio que nos iam chegando a passar em loop. Chegada a Bruxelas já depois das duas da manhã, entregar, deixar os carros na garagem da rent-a-car depois de os atestar e ir dormir 3 horas, ou nem isso, para a ponta da cama disponível num hotel (obrigado Tomás, foram 3 pareceram 10). Às 7 da manhã já estava de saída do hotel rumo à estação. Chaves de carro entregues e comboio rumo a Paris apanhado.

À chegada a Paris, com uma hora para chegar a Montparnasse, sou abordado pela polícia à saída do cais de chegada.
“Bom dia senhor, pode acompanhar-nos ao controlo de segurança ?”
“Com certeza, perdoem-me só o ar apressado, mas tenho TGV em Monptarnasse dentro de uma hora”.
“Ok. Pode facultar-nos a sua identificação?”
“Com certeza”
“É belga?” perguntam enquanto tiro o Cartão do Cidadão
“Não. Sou português. Venho de Dortmund onde fui ver o Benfica na Champions”.
O agente olha para o cartão do cidadão e diz: “Ok. Então boa viagem”.
E sigo sem ter de abrir a mala, o que me iria atrasar um bom bocado tal o caos que ela estava.

Desco então para o RER B (desta vez adotei a sugestão dada na primeira viagem) e a estação estava um caos. Falam em atrasos nos dois sentidos. Passa a primeira composição mas não consigo entrar na mesma, e começo a ficar preocupado. Logo de seguida vem a segunda composição e entro. Fico um pouco mais aliviado.

Em Denfert-Rochereau mudo para o metro (linha 6) que não está melhor. Mais uma vez falho a primeira composição mas consigo entrar na segunda. Chego a Montparnasse 12 minutos antes da partida do TGV e embarco imediatamente. Caso tivesse sido revistado na Gare du Nord, não sei não...Tudo está bem quando acaba bem.

As últimas 3 horas de viagem estão a correr bem até que na última paragem antes da chegada somos avisados duma perturbação na linha. Ficámos 40 minutos parados até arrancar. Acabo por chegar ao destino (Surgères) apenas às 14:00. Já nem vou a casa. Pego no carro e sigo para o trabalho. Estava oficialmente concluída a 26ª ao estrangeiro para ver o Benfica.

Se valeu a pena ? Vale sempre. Pelo Benfica e pelos meus vale sempre a pena. E só tenho vontade que chegue a 27ª.



Um eterno obrigado a todos os que sempre me fizeram acreditar que este sonho seria possível, mesmo quando parecia tudo menos isso. Belá Guttmann sabia bem o que dizia quando falava dos adeptos do Benfica. E Mário Wilson ainda sabia mais. Não deixem nunca de lutar pelos vossos sonhos porque por mais improváveis que pareçam, podem sempre acontecer.


Que viva o Benfica!