sábado, 20 de abril de 2019

Eintracht - Benfica: o 38º jogo que foi na cidade alucinada



Abril 2019. Após eliminatórias com o Galatasaray e com o Dinamo Zagreb (ausente em ambas), eis que nos calha Frankfurt, a apenas 400 km de distância de onde me encontro a residir. No entanto o jogo bate com o período da Páscoa e para ir ao jogo e aproveitar o fim de semana de 4 dias sem trabalhar, fruto de 2 feriados na Alsácia, tenho de ir de avião para depois ir a Portugal pela primeira vez desde janeiro 2019. Mas Frankfurt não se pode falhar… Um dos três melhores ambientes da Alemanha (com Nuremberga e Dresden) e da Europa.

Consultadas as datas da malta que também ia, acabei por marcar Basel - Frankfurt para a manhã do jogo, com voo para Portugal no sábado de manhã.

Na semana anterior, jogo da primeira mão com grande invasão alemã a Lisboa. Os alemães cedo ficaram reduzidos a 10 e o Benfica desperdiçou uma tremenda oportunidade de, desde logo, resolver a eliminatória, sofrendo dois golos dum adversário que é, por essa altura, a mais entusiasmante equipa alemã, mas que aparenta estar em quebra nessa fase da época.

Véspera do jogo e prepara-se a mala, levezinha e sobretudo com coisas para levar para Portugal, entre revistas, livros e cachecóis recentemente comprados para a coleção. Manhã do jogo com despertar às 5:35 habituais e ainda ir à fábrica ás 6:30 colocar todo o pessoal ao trabalho e orientar tudo para esse dia e para o regresso de terça feira seguinte, até que às 9:30 foi hora de seguir para o aeroporto.

O voo foi curto e rápido, sem atrasos e a chegada a Frankfurt tranquila, tendo percorrido o gigante aeroporto para apanhar o metro ou comboio que me levaria até à estação principal de Franfkurt, a mais movimentada da Europa, perto da qual ficaria alojado. Aí chegado, apesar de ainda não serem 15, foi-me permitido efetuar o check-in, tendo-me instalado e dirigido a pé para a zona da Igreja de Santa Catarina, onde me esperavam para um copo e almoçarmos.

Aí chegado, os cumprimentos efusivos entre pessoal que não se via há 3 meses, e ida direta à loja do Frankfurt para comprar o habitual cachecol do jogo, tendo ainda comprado uma tshirt alusiva à eliminatória. A nota de destaque até então era que, para chegar a essa área extremamente comercial e concorrida, foi preciso atravessar a Red Light de Frankfurt, que logo aí me parece bastante degradada, mas menos do que se viria a revelar. Aproveitando o sol alemão e terminada a primeira cerveja, seguimos a pé de volta para a zona mais próxima da gare, e da Red Light, mas neste caso na rua principal onde se encontram as esplanadas para então almoçarmos, já algo tardiamente, e onde mais um companheiro se viria a juntar a nós. Terminado o almoço, seguimos até ao hotel deixar as compras e pegar no material que iriamos para o jogo tendo passado no hotel onde estavam alguns dos nossos, em plena red light. Confesso nunca ter visto nada assim: o hotel ficava junto a uma casa de reabilitação, onde se via uma autêntica casa de xuto a céu aberto, com pessoas a injetarem-se na via pública , e um estado de decadência como pensei que já não fosse possível ver na europa ocidental. A tal zona da Red Light, era efetivamente algo muito à parte como nunca tinha visto na minha vida e dificilmente voltarei a ver, apesar de se resumir mesmo àquele quadrado de 300 por 300 metros a leste da Gare Principal, pois aquele cenário não se viria a repetir em mais lado nenhum da cidade. Algo impressionante era o contraste entre a zona degradada e o centro financeiro, colados um ao outro e com uma limpeza e ordem que era da noite para o dia.





Deixadas as coisas no hotel, ponto de encontro na Gare, junto à qual já se juntavam muitos adeptos locais, que nos pubs iam aproveitando o calor que se fazia sentir. Descemos então para a linha onde apanharíamos o metro que nos levaria ao estádio (S8 ou S9), tendo optado por não ir nos autocarros fornecidos para adeptos do Benfica, que partiam do meeting point pré-definido, e assim aproveitar o ambiente dos adeptos locais. E em boa hora o fizemos pois tivemos assim a possibilidade de fazer o trajeto que todos eles fazem, atravessando o parque que leva da estação local até ao estádio onde se viam grandes bancas de material e música, beergardens em todo o lado e os míticos adeptos alemães com os seus casacos de ganga. Já em frente ao estádio, deslocámo-nos junto ao parque de autocarros onde encontrámos uma série de murais que são autênticas obras de arte.





Demos então a volta ao estádio para nos juntarmos aos adeptos portugueses no parque indicado para os mesmos, e vermos o resto do pessoal vindo da terra lusitana. Faltava então pouco mais de uma hora para o jogo e resolvemos entrar, pois tínhamos ainda dois cordões de revista pela frente. E foi num deles que veio o primeiro aspeto negativo: todos os adeptos do Benfica que tivessem algum adereço do Eintracht, cachecol do jogo excluído, teria de o deixar ali, podendo-o recolher no final do jogo. O argumento era de que o poderiam queimar na bancada e assim esse cenário ficava colocado de parte. De resto em volta do estádio, a circulação era livre e havia confraternização entre portugueses e alemães, sem qualquer problema. Passagem obrigatória no bar e entrada na bancada para poder finalmente começar a sentir um dos melhores ambientes da Alemanha.  E a Westkurve já estava a rebentar pelas costuras nessa altura, sendo possível perceber que ia haver coreografia.





O que se passou então dentro do estádio, não foi possível qualificar. Poucas semanas depois de ter estado num Stuttgart – Nurnberg, e ter ficado maravilhado, fui ao Commerzbank assistir a uma lição de apoio, entusiasmo e adoração a um clube. 80% do estádio ficou sempre de pé, desde 1 hora antes do jogo até abandonar o estádio. 80% do estádio (mínimo) cantou ininterruptamente, e o som era verdadeiramente ensurdecedor, a ponto de nós, no setor visitante, não nos ouvirmos a nós caso não cantássemos a uma só voz. E infelizmente foi isso que acabou por acontecer. Com um público Benfiquista que se assemelhou muito mais ao publico aburguesado da Luz, onde o apoio tem falhado demais, e menos ao que costumamos ver a Norte e no estrangeiro, sentimos que nos acabámos por fazer ouvir muito menos do que o que devíamos e do que o que a nossa equipa e o nosso clube precisavam. E se podemos criticar a nossa equipa pela estratégia (e não pela atitude) de entrar a pensar na gestão de resultados, podemos também fazer mais um mea culpa e colocar a mão na consciência sobre o que andamos a fazer na bancada. O problema é grave, e carece de intervenção o mais rápida possível, porque é também o reflexo do perigo pelo qual passa o Benfica popular que sempre conhecemos.


Após o jogo, e claramente a lidar mal com a eliminação, fruto de um golo mais falso do que judas, todo e qualquer programa noturno ficou desde logo colocado de parte por mim. Seguimos nos autocarros colocados à disposição dos adeptos do Benfica até à zona central da cidade, e daí seguindo até ao hotel deixar as coisas para ir jantar a uma conhecida cadeia de fast food na estação. Pelo meio, mais uma travessia da mais que degradada Red Light de Frankfurt. Jantados, foi tempo de ir para o quarto e dormir, o dia seguinte seria de turismo. O possível numa cidade onde pouca coisa há para ver.

Sexta feira santa. Um sol tremendo em Frankfurt e passeia-se de tshirt sem qualquer pitada de frio. Vamos até ao Rio enquanto o resto da malta não acorda. Quando nos encontramos junto ao rio, eis que a malta que estava alojada no hotel junto aos walking dead dá sinal de vida, e marcamos ponto de encontro perto da red light para tomar o pequeno almoço, donde seguimos para a zona da Catedral a pé. Trata-se da zona mais típica alemã, e claramente a zona mais interessante da cidade. Lá chegados, as habituais praças gigantes, onde reparámos que era dia de manifestação de jovens pelo clima do planeta, tendo os mesmos partido para uma sessão de recolha do lixo que se encontrava nas ruas.  Seguimos até à ponte Eiserner, um dos ex libris da cidade e onde se podem de facto tirar fotos de qualidade superior, visitámos a catedral da cidade, e voltámos à grande praça da cidade, Römerberg, onde aproveitámos para almoçar, no meu caso o já típico Joelho de Porco.











Findo o almoço seguimos a pé até ao hotel do amigo que ia embora, donde seguimos até à estação para o deixar. Pelo caminho, um encontro com Gonçalo Paciência que ao passar por nós não repetiu a figurinha ridícula que havia feito no final do jogo. Deixado o grande amigo Doutor na estação, voltámos para trás em direção à Main Tower, para aproveitar e ter direito à melhor vista de Frankfurt. Trata-se duma torre onde subimos de elevador até ao 54º andar, situado a 190m de altura, subindo ainda mais uns lanços de escada, permitindo ter uma superlativa vista panorâmica da cidade. Não saímos defraudados mesmo que tenha chegado à conclusão que Frankfurt é a cidade banhada com um rio com a menor aura que alguma vez conheci. Após a visita à Main Tower, hora de nos refrescarmos com uma loira e regresso ao hotel para descansar um pouco. Os mais de 40km caminhados em dois dias já se começam a fazer sentir, do qual só saímos para jantar num restaurante australiano onde já tínhamos bebido ido beber a loirinha à tarde. E de barriga cheia regressámos ao hotel, com mais um vislumbre de pessoas anormalmente exóticas até ao mesmo.












Foi então hora de arrumar as malas pois tínhamos poucas horas de sono pela frente….

Despertador às 4, banho rápido, seguir para a estação onde apanhámos o metro, tendo mais uma vez sido abordados pelo caminho, e cruzando tudo e mais alguma coisa na estação. Era então tempo de seguir para o aeroporto.

A eliminação custou. Mas valeu a pena… Vale sempre. Não recomendo Frankfurt em termos turísticos. Não vale a pena. Chega a ser assustadora em algumas zonas e pouco há que se aproveite.  Mas o 80º estádio onde vi futebol, e onde acompanhei o meu 38º jogo do Benfica no estrangeiro, deixou-me uma marca que comigo ficará para sempre. É aquilo que eu sonho para o meu clube. Por muito utópico que eu acredito que seja. Mas acho que é por algo assim que vale a pena lutar e sonhar.

A conclusão ? Viva o Benfica. E venha o 39º... Mas antes há a prioridade das prioridades: ganhar o próximo jogo da Liga pois o Campeonato Nacional e o 37º são sonhos mais do que desejados.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Carta aberta ao Senhor Voleibol do Benfica - Professor José Jardim.

Olá Prof,

Não sei se esta carta alguma vez lhe vai chegar, mas aqui fica...

Certamente só me conhece de vista, quiçá dos Pavilhões da Luz, que sempre ocuparam muito do meu tempo livre em Lisboa, quiçá das férias em São Martinho do Porto.
A primeira vez que me lembro de si, foi por 2 anos seguidos ter vencido a equipa da minha irmã no torneio misto de voleibol de praia nas férias... Na altura lá me disseram que era o treinador nas camadas jovens do melhor jogador da equipa da minha irmã.
Mal sabia eu o quanto o ia admirar...

Foi em plena década de 90 que o Benfica encerrou a sua formação sénior de voleibol... O prof era jogador. Era o Capitão! E tinha conquistado o último título de Campeão numa negra na Nave de Alvalade. E levantado a Taça de Portugal em 1992. E pouco tempo depois acabou. Simplesmente.
Estamos a falar duma modalidade esquecida, que jogava no Pavilhão 2, num cantinho. Tão esquecida que às vezes ocorriam outros jogos em simultaneo, a ocupar os outros 2/3 do Pavilhão...



Muitos saíram, normal. O Prof ficou. E nas camadas jovens foi trilhando o seu caminho, e os jovens foram crescendo e chegámos aos séniores. E voltámos a ter equipa sénior. E ganhámos a 3ª divisão há apenas 20 anos atrás. E subimos pouco depois à primeira... E em na primeira metade da década passada voltámos aos títulos, com uma equipa quase invencível e cheia de talento. Mas também é preciso saber detectar o talento. 
Depois veio o desinvestimento, mas continuou o Prof. E mais uma vez reconstruiu uma equipa. Uma senhora equipa que dominou o voleibol em Portugal esta década. Tirou-me muitas vezes do sério com algumas opções é verdade, e percebe infinitamente mais de voleibol do que eu, mas os adeptos são assim. Continuo a achar que podia ter uma história ainda mais bonita ? Continuo. Mas faz parte...

Se hoje há voleibol no Benfica, o prof é o rosto dele. E que nunca ninguém se esqueça disso... A única coisa que espero é que nunca saia do Benfica, porque é certo que o Benfica nunca sairá de si. Prof José Jardim é sinónimo de Voleibol Benfica. Era ontem. É hoje. E será amanhã...


Mais do que lamentar os momentos, lamento a final de ontem. Não fomos a melhor equipa da fase regular, mas fomos a melhor equipa da final. Mostrámos que somos Equipa, que somos Benfica. E sim, mereciamos ser Campeões, e o Prof merecia a cereja no topo do bolo com a que seria talvez a mais épica das vitórias. Quis a sorte, e algo mais que assim não fosse. 


Por tudo isso... Olhe, obrigado Prof! Será sempre a sua casa e o seu pavilhão. E que o assombroso ambiente do Benfica - Novi Sad de 2015 perdure para sempre na sua memória.

"Quero passar aos adeptos do Benfica aquilo que os jogadores me passaram. Temos muita pena de não lhes oferecer este título. Fica um grande orgulho nos 25 títulos conquistados. Não me esqueço de como esta equipa voltou. Começámos por baixo, com títulos de juvenis e juniores. Mas, mais importante, é que, quando perdemos, perdemos assim. As finais perdidas do Benfica foram todas assim. Quer dizer que lutámos sempre até ao último ponto"



domingo, 18 de março de 2018

O Benfica é uma LENDA

Quem me segue nas redes sociais, sabe que em dia de jogo do Benfica é sagrado: faço sempre um post a citar Laurent Moisset, igual ao texto que se segue:

"O Benfica é eterno. Eles não conhecem fenómenos de erosão que possam fazer perigar as suas fundações mais seguras. Eles sabem sempre renovar a sua imagem. O Benfica é uma lenda"
Laurent Moisset, in France Football
12/11/1991

Pois bem, o post de hoje não é para dizer que Laurent Moisset tinha razão, pois houve de facto, três anos após o mesmo ter escrito isto, um fenómeno que, na altura, nos veio a fazer pensar que as nossas fundações mais seguras estavam em perigo. Felizmente soubemos, tal como disse o jornalista francês, renovar a nossa imagem e mostrar que o Benfica é uma lenda, voltando à alegria desportiva, a engrandecer ainda mais o palmarés, e chegar aos tempos recentes em que temos vivido tempos felizes.

O texto, que sempre vi como uma das melhores referências ao clube de todos nós, feito por uma pessoa externa ao clube, sempre foi visto quase como um mito. Mas não, ele existe mesmo, e a prova chegou hoje às minhas mãos.
Eis a edição  de 12 de Novembro de 1991 da France Football, onde o texto está incluído, numa peça alusiva à mítica exibição do Benfica em Highbury Park.






Pois é, minha gente. O Benfica é mesmo uma lenda...

Rumo ao PENTA!

sábado, 18 de novembro de 2017

VÍCio de viajar



Dezembro de 2004. O Benfica desloca-se a VIC para disputar uma eliminatória da Taça CERS. Uma carrinha de adeptos do Benfica, elementos dos Diabos Vermelhos, viaja até VIC para apoiar a modalidade de eleição do grupo. No regresso, já não muito longe da fronteira portuguesa, um acidente automóvel ceifa a vida a um desses elementos. O Borsky nunca será esquecido.


Outubro de 2015. O sorteio dita que o Benfica vai a VIC num jogo relativo à fase de grupos da Liga Europeia de Hóquei em Patins. Passam mais de 10 anos da tragédia que nos levou o Borsky e nem penso duas vezes: marco a viagem! É tempo de ir render a devida homenagem, marcando presença no último pavilhão onde ele apoiou o clube de todos nós.

E foi assim que, juntando a homenagem, o Benfica, o hóquei em Patins e a fabulosa cidade de Barcelona, comecei a planear esta viagem. Desde logo alguma malta se mostrou interessada e começaram a organizar uma carrinha que saísse de Lisboa. Eu iria de avião, onde já em Barcelona se juntaria um amigo de Londres, e mais tarde se confirmaria também a presença duma velha amiga destas vidas de Benfica. O jogo era em Janeiro, já sabiamos que não haveria muito calor, mas não fazíamos ideia do frio que faria na serra onde se situa VIC.

Sexta feira, saido do trabalho, apanho a C. e rumamos ao aeroporto. O destino é o mesmo, mas o voo é diferente, sendo eu o primeiro a aterrar.
Quando aterro, a primeira boa notícia: o maior rival, na altura líder do campeonato, acaba de empatar em casa com o Tondela. Augurava-se um bom fim de semana. Entretanto aterra a C, e posteriormente o M. Levantamos o carro e seguimos para Barcelona onde nos instalamos no hostel, perto da Sagrada Familia, e saímos para petiscar qualquer coisa e regressámos para descansar.

Sábado, após o pequeno almoço, uma ida até às ramblas para o habitual passeio pela avenida, e para uma passagem pelo mercado de Barcelona, donde seguimos até Camp Nou onde almoçámos e vimos os preços económicos dos bilhetes para um Barcelona - Athletic. Entretanto, a malta da carrinha começava a dar notícias e combinámos encontrarmo-nos em Montjuic. Assim fizemos e tirámos a primeira foto de grupo no Olímpico. Daí regressámos ao Hostel, onde todos tinham de fazer o check-in, e onde entretanto chegava o pessoal oriundo de Paris (1 carro) e da Suiça (1 pessoa).






Após a chegada de toda a gente. lá nos preparámos para seguir rumo a VIC. Uma viagem de 40 minutos, pela serra e pelo frio até chegarmos à porta do pavilhão ainda bastante cedo. A temperatura é baixíssima e enquanto não se abriam as portas a única solução era ficar nos carros com o aquecimento ligado. Frio e vento, a combinação traumática.

Após saudar os jogadores, pouco depois de entrarmos no pavilhão quando faltavam cerca de 40 minutos para o ínicio do mesmo, decorre o aquecimento, findo o qual o azulejo do pavilhão é regado. Começa o jogo e é uma hecatombe. O Benfica sofre golo atrás de golo, e a poucos segundos do intervalo o Benfica perde por inimagináveis 7-0!!! De Portugal vamos recebendo mensagens a perguntar o que se passa porque ninguém entende. Nem nós, ali na bancada, onde vemos uma equipa apática e sempre a escorregar. Poucos segundos antes da buzina do intervalo, Marc Torra marca o primeiro golo do Benfica.


Após o intervalo, aparece uma equipa diferente e a acreditar sempre, como sempre nos caracterizaram. Desta feita é o Benfica que vai marcando golos atrás de golos e chega à desvantagem mínima (7-6), ficando nós com a sensação que com mais uns minutos ainda sairiamos vencedores.  No final, o agradecimento aos adeptos e a nós era tempo de nos refazermos à estrada, na gelada serra a norte de Barcelona, enquanto começava o Estoril - Benfica em futebol de maneira nada agradável: com um golo do Estoril.


À chegada a Barcelona dirigimo-nos para o restaurante onde nos disseram que poderiamos ver o jogo, mas, lá chegados, estava fechado. Alguns batem retirada e seguem para o hostel, nós os 3 dirigimo-nos para o Mac, onde jantamos e aproveitamos o fraco wireless local para ir vendo alguns frames do jogo e acompanhar a reviravolta do Benfica: Mitroglou e Pizzi metem o Benfica na liderança e o Benfica segura-a até ao fim! A noite estava ganha apesar da derrota no hoquei que não era comprometedora (e tanto não foi que nos sagrámos campeões europeus nessa época). Após o jantar, uma ida até um pub junto à Sagrada Família seguindo-se o devido descanso.

Domingo, a despedida do pessoal que tinha longas viagens de carro pela frente e desejos de boa viagem. Aproveitámos para ir até ao Arc del Triomph, um passeio pela marginal de Barcelona, seguindo-se a ida para o aeroporto, com a respetiva entrega do carro e o regresso a Lisboa.
Pouco depois de aterrar, e quando a malta da carrinha entrava em Portugal, o outro candidato ao título perdia o seu jogo na cidade berço. Que maravilha de fim de semana!




Se valeu a pena ? Vale sempre: pelas amizades, pelo Benfica e pela cidade.

E sobretudo, pelo Borsky.



 Em Janeiro há mais...

domingo, 5 de novembro de 2017

Qual a próxima?

Qual a próxima viagem/jogo no estrangeiro para escrever?

São vocês que escolhem!
  1. Lazio 3 - 1 Benfica, 13/08/2003, Done!
  2. Inter 4 - 3 Benfica, 25/03/2004, Done!
  3. Manchester 2 - 1 Benfica, 27/09/2005
  4. Liverpool 0 - 2 Benfica, 08/03/2006, Done!
  5. Barcelona 2 - 0 Benfica, 05/04/2006
  6. Benfica 1 - 2 Chelsea, 15/05/2013
  7. PSG 3 - 0 Benfica, 02/10/2013
  8. Olympiakos 1 - 0 Benfica, 05/11/2013
  9. Anderlecht 2 - 3 Benfica, 27/11/2013
  10. PAOK 0 - 1 Benfica, 20/02/2014, Done!
  11. Tottenham 1 - 3 Benfica, 13/03/2014
  12. AZ Alkmaar 0 - 1 Benfica, 03/04/2014
  13. Juventus 0 - 0 Benfica, 01/05/2014, Done!
  14. Sevilla 0(4) - 0(2) Benfica, 14/05/2014
  15. Monaco 0 - 0 Benfica, 22/10/2014
  16. Zenit 1 - 0 Benfica, 26/11/2014
  17. Atlético Madrid 1 - 2 Benfica, 30/09/2015
  18. Galatasaray 2 - 1 Benfica, 21/10/2015, Done!
  19. Astana 2 -2 Benfica, 25/11/2015, Done!
  20. Vic 7 - 6 Benfica, 16/01/2016
  21. Zenit 1 - 2 Benfica, 09/03/2016
  22. Bayern 1 - 0 Benfica, 05/04/2016
  23. Napoli 4 -2 Benfica, 28/09/2016, Done!
  24. Dinamo Kyev 0 - 2 Benfica, 19/10/2016, Done!
  25. Besiktas 3 - 3 Benfica, 23/11/2016, Done!
  26. Coutras 2 - 4 Benfica, 18/02/2017
  27. Borussia Dortmund 4 - 0 Benfica, 08/03/2017, Done! 
  28. Arsenal 5 - 2 Benfica, 29/07/2017
  29. RB Leipzig 2 - 0 Benfica, 30/07/2017
  30. Basel 5 - 0 Benfica, 27/09/2017, Done!
  31. Man United 2 - 0 Benfica, 31/10/2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Basel - Benfica: TOP Horribilis



Eu, ingénuo me confesso! Depois de ter crescido no Vietnam Benfiquista achei que certas coisas não aconteciam mais. Pois bem, a noite de ontem vai para o top 5 de humilhações ao vivo que vivi enquanto Benfiquista. O Glorioso Sport Lisboa e Benfica, tetracampeão nacional, foi derrotado por 5-0 pelo quarto classificado do poderosíssimo campeonato suíço. Ainda muitos dos nossos continuavam a entrar num estádio com condições mas numa cidade toda em obras e já os suiços estavam a ganhar.

A aventura começou no dia de sorteio: o facto de trabalhar agora na região Parisiense permitiu-me não perder um único dia de trabalho. Na tarde do jogo seguia de TGV para Basel, e regressava na manhã seguinte (TGV no qual me encontro a escrever este texto).

A chegada a Basel, após uma viagem tranquila, deu-se a 3 horas do jogo. Dirigi-me rapidamente até ao hotel para deixar as coisas, indo de seguida ter com os meus. Via-se Benfica por todo o lado, os dados que indicavam à volta de 10 000 Benfiquistas no estádio não eram infundados. Após algum tempo no centro, apanhar o Tram até ao estádio onde mais uma vez a mancha vermelha era enorme. Indescritível! Entrei no estádio já em pleno período de aquecimento e já o setor visitante estava quase repleto com muitos mais Benfiquistas em todo o estádio, por todo o lado exceto no topo contrário.
O mar de gente vermelho continuava a entrar, inclusive durante o hino da Champions. Começa o jogo, golo do Basel, continua malta do Benfica a entrar. O apoio vai crescendo. Ainda na primeira parte, 2-0 para o Basel. O apoio não quebra. Vem o intervalo, acredita-se na remontada apesar de se jogar ZERO. Apesar de não termos rematado uma única vez à baliza. Apesar de só termos tido uma única oportunidade de golo em que em vez de rematar deixámos cortar para canto e no contra ataque sofremos o segundo golo. Mas era possível remontar. Nós somos o Benfica, o clube das missões impossíveis (entre as quais tentar ser penta com um desinvestimento nunca visto).

Começa a segunda parte, 3-0. 4-0. 5-0.  Pelo meio 3 bolas bateram no poste. Grande parte do setor visitante está revoltado e abandona o estádio. Os do costume lá ficam. Por os do costume refiro-me àqueles a quem o plantel, por indicação de Luisão, virou as costas no Bessa. Esses mesmos! Os que lá estavam ontem, estavam no Bessa, estavam quando nada ganhámos entre 2005 e 2010, estavam quando ficámos em quarto lugar, ou quando ficámos em sexto. Esses mesmos, os que nunca te abandonam, nunca te viram costas. Foi até ao fim, num apoio sublime ao emblema.

Até que chegou o fim do sofrimento. O fim dos 90 minutos. A equipa junta-se e dirige-se ao setor visitante sem nada manifestar. Visto donde estava, mais parecia algo feito do que algo de coração. E só assim se explica o capitão de equipa não se chegar à frente e pedir desculpa. Por mim tinham era tirado todos a camisola. E a visão de “algo feito” ficou confirmada quando a equipa volta para o balneário e um elemento do plantel, perante o protesto daqueles que nunca abandonam o emblema que vestem ao peito se vira para trás e diz: “APOIEM!!! APOIEM!!!”.

O Benfica merece o nosso apoio. Sempre. Vocês, e por vocês refiro-me a todo o grupo de trabalho, merecem que vos exijamos que honrem a camisola. O emblema que trazem ao peito é intemporal e tem a definição de lenda. Só têm que fazer por merecê-lo. Não admito nada que não seja uma vitória na Madeira e o Penta. Sim, nada menos que o PENTA será admitido.

Façam por isso. Façam-se homens. Façam os cortes que tiverem de fazer. Encostem quem tiverem de encostar e mantenham-se vivos até Janeiro para fazer o que deviam ter feito no verão.


ACORDEM!